O confronto entre Tailândia e Camboja, iniciado na última quinta-feira (24), entrou nesta sexta (25) em seu segundo dia e se expandiu para diversas regiões da fronteira, elevando o risco de uma guerra em larga escala. Os dois países se acusam mutuamente de terem iniciado os ataques, que já deixaram pelo menos 18 mortos e mais de 130 mil civis evacuados.

Foto: Lillian Suwanrumpha / AFP
As hostilidades decorrem de uma disputa territorial histórica, que remonta a mais de um século e envolve trechos não demarcados da fronteira terrestre de 817 quilômetros entre os dois países. O mais recente episódio de tensão rapidamente evoluiu de confrontos com armas leves para trocas de tiros de artilharia pesada, abrangendo cerca de 209 km da fronteira.
Continua depois da Publicidade
Segundo autoridades tailandesas, 17 mortes foram registradas desde a quinta-feira, sendo 13 civis. O Camboja, por sua vez, confirmou uma morte em seu território. Em resposta à escalada, a Tailândia fechou postos fronteiriços na quinta-feira (24) e, no dia seguinte, decretou lei marcial em oito distritos localizados em duas províncias diferentes, ao longo da fronteira cambojana.
“Os combates podem evoluir para uma guerra se a situação se agravar”, declarou o primeiro-ministro interino da Tailândia em comunicado oficial, alertando para o risco crescente do conflito.
Nesta sexta-feira, o Camboja declarou que aceita a proposta de cessar-fogo sugerida pela Malásia, enquanto a Tailândia informou estar aberta ao diálogo com Phnom Penh, mas rejeitou qualquer tipo de mediação externa no momento.
Continua depois da Publicidade
A crise também afetou as relações diplomáticas. Na quarta-feira (23), a Tailândia retirou seu embaixador de Phnom Penh e declarou a expulsão do embaixador cambojano em Bangkok, após dois soldados tailandeses terem se ferido gravemente ao pisarem em uma mina terrestre em área de fronteira. O governo tailandês alegou que os explosivos seriam de fabricação russa e recentemente colocados, contrariando um acordo bilateral que garantia segurança nos acessos da região.
O governo cambojano negou as acusações, alegando que há inúmeros artefatos explosivos remanescentes de guerras do século passado e classificou a denúncia como “infundada”. A agência AP apontou que a retirada dos embaixadores também seria uma resposta à decisão da Tailândia de fechar postos fronteiriços no nordeste do país.
Continua depois da Publicidade
O episódio atual marca o mais grave embate entre as duas nações em mais de uma década. Em 2011, um confronto semelhante envolvendo trocas de artilharia durou uma semana e resultou em múltiplas vítimas.
A comunidade internacional reagiu com preocupação. Os Estados Unidos, aliados históricos da Tailândia, pediram a “cessação imediata das hostilidades, proteção aos civis e uma solução pacífica”. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, atual presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), afirmou ter conversado com lideranças dos dois países e reforçou a necessidade de um cessar-fogo imediato.
Enquanto isso, civis continuam deixando suas casas em meio ao avanço dos confrontos. Cerca de 130 mil pessoas foram evacuadas somente do lado tailandês. A tensão segue elevada, e o desfecho do conflito ainda é incerto, apesar das crescentes pressões por uma trégua diplomática.