Uma pesquisa nacional revela que a inteligência artificial já se tornou parte do cotidiano escolar dos adolescentes brasileiros. Mas a falta de orientação adequada levanta preocupações sobre como esses jovens estão utilizando a tecnologia.

Divulgação/Imagem gerada por IA
Sete em cada dez estudantes do ensino médio no Brasil já recorrem à inteligência artificial generativa para fazer pesquisas escolares. O dado é da 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta segunda-feira (16) pelo Cetic.br, braço do NIC.br e do CGI.br.
Continua depois da Publicidade
Apesar do uso crescente, somente 32% dos alunos afirmam ter recebido instruções sobre como utilizar a tecnologia de forma crítica e segura.
“Esses resultados demonstram como os adolescentes estão adotando novas práticas de aprendizagem”, destacou Daniela Costa, coordenadora do estudo. “O desafio é orientar sobre a integridade da informação e o uso responsável dos conteúdos.”
Conforme o levantamento, 68% dos gestores escolares já realizaram reuniões com professores e funcionários para discutir o tema, enquanto 60% se reuniram com pais e responsáveis. O debate sobre celulares ainda é central, mas 40% dos gestores já incluem o uso de IA como pauta.
Continua depois da Publicidade
O estudo foi realizado durante a promulgação da Lei 15.100/2024, que restringe celulares em salas de aula. Em 2023, 28% das escolas proibiam totalmente os aparelhos; em 2024, a proporção subiu para 39%.
Hoje, 96% das escolas brasileiras têm acesso à internet, avanço especialmente significativo nas redes municipais e rurais. Mas as desigualdades seguem marcantes: nas escolas estaduais, 67% dos alunos utilizam a internet em atividades pedagógicas; já nas municipais, o índice cai para 27%.
Continua depois da Publicidade
Entre as escolas rurais, a presença de computadores para os estudantes recuou de 46% em 2022 para 33% em 2024.
A pesquisa também evidenciou queda na capacitação de professores. Em 2021, 65% dos docentes haviam participado de cursos de tecnologia digital; em 2024, o índice caiu para 54%, com redução mais acentuada nas escolas municipais.
“O preparo dos professores é essencial em um contexto de mudanças, como a inserção da IA nas práticas pedagógicas”, reforçou Daniela Costa.
A pesquisa entrevistou 945 gestores, 864 coordenadores, 1.462 professores e 7.476 alunos em 1.023 escolas públicas e privadas, entre agosto de 2023 e março de 2024.