Opinião
Érico Pena

ARTIGO

Até que ponto o uso de “IAs” para diagnóstico médico é válido?

O uso de chatbots na substituição de médicos torna-se cada vez mais perigoso


Sou do tempo que quando entrava num consultório médico, o profissional me olhava nos olhos e não para a tela de um celular ou de computador. Hoje em dia, porém essa realidade mudou e não sei se podemos afirmar com 100% de certeza se foi para melhor, pois com o uso da Inteligência Artificial (I.A.) para auxiliar nos diagnósticos e orientações médicas, aquela relação de paciente e doutor está cada vez mais perdendo espaço para atendimentos menos humanizados.

Divulgação

Com o crescente uso da IA, causado pelo avanço diário da tecnologia, é possível que futuramente os próprios pacientes recorram a essa ferramenta em busca da cura da sua enfermidade e deixem de procurar a avaliação de um profissional de saúde, que realmente dedicou anos de estudos, com residência, especialização e tudo mais para ser a pessoa mais indicada e habilitada a tomar decisões terapêuticas que busquem a cura com base no conhecimento adquirido e com o auxílio das medicações e exames realizados.

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Essa situação liga o alerta com relação ao aumento do uso de chatbots para diagnósticos. Os próprios especialistas ressaltam a importância da IA como uma poderosa aliada em diversas áreas da medicina, ajudando os profissionais da saúde, entre outras coisas, a interpretar exames com rapidez e precisão, porém mesmo avanço da tecnologia, não podemos fazer vista grossa com relação aos limites éticos e clínicos, sem falar da questão da segurança.

Reprodução Getty images

O mais preocupante é que o Brasil já ocupa a terceira posição no ranking de países que mais usam as plataformas de assistentes digitais, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia e, de acordo com publicações divulgadas em revistas especializadas no assunto, por mais que as “Ias” tenham se mostrado de extrema importância no ramo da medicina, nada substitui o julgamento clínico humano, pois a IA por mais moderna que seja, jamais terá a empatia e a capacidade de interpretação subjetiva que só os humanos tem, ou seja, o famoso “cada caso é um caso”, frase que todos nós já escutamos pelo menos uma vez de algum profissional da saúde.

Agora fica a torcida para que no futuro a IA não venha substituir de vez o médico e sim interagir junto com ele, atuando como ferramenta de apoio, ajudando em diagnósticos complexos, auxiliando nas análises laboratoriais e na organização de dados dos pacientes. O importante é que o uso ético da IA seja acompanhado de educação digital em saúde, talvez só dessa forma possamos garantir que a inovação caminhe de mãos dadas com segurança, pois o exame físico, o contato humano e a escuta individual e atenciosa de cada paciente é e sempre será insubstituível na medicina.

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