Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) revela um cenário preocupante: seis em cada dez pessoas no mundo já sentem, de alguma forma, os impactos das mudanças climáticas sobre sua saúde. Entre as principais causas estão o aumento das temperaturas, a intensificação das queimadas e a ocorrência cada vez mais frequente de desastres naturais.

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Durante apresentação dos dados na COP 30, em Belém, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a crise climática já está transformando radicalmente a estrutura dos serviços de saúde. “Esses dados consolidam a ideia de que as mudanças climáticas já matam pessoas, pioram sua saúde, destroem unidades de saúde e afetam o trabalho de profissionais”, destacou.
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Padilha chamou atenção para o baixo volume de investimentos destinados à interseção entre clima e saúde. Atualmente, apenas 6% do financiamento climático global é aplicado diretamente em ações voltadas à proteção da saúde. Para ele, elevar esse percentual poderia ter impacto significativo. “Se aumentássemos para 10%, salvaríamos milhões de vidas”, afirmou, anunciando ainda que o país terá novas unidades de saúde projetadas para resistir aos efeitos extremos provocados pela crise climática.
O ministro também reforçou que preparar o sistema de saúde para enfrentar esse cenário é, na visão dele, uma forma de combater dois tipos de negacionismo. “Implementar a adaptação dos sistemas de saúde para enfrentar as mudanças climáticas é, também, uma resposta ao negacionismo duplo que existe no mundo hoje: negacionismo em relação às mudanças climáticas e às melhores práticas da saúde. Seguir a ciência é a principal vacina para enfrentar e derrotar o negacionismo que assola o mundo”, concluiu.
A pesquisa mostra ainda que um em cada 12 hospitais no planeta corre risco de ter suas atividades interrompidas devido aos efeitos climáticos extremos que comprometem sua estrutura e operação. Em referência direta ao impacto já observado no Brasil, Padilha informou que serão reconstruídas as cinco unidades de saúde destruídas pelos tornados em Rio Bonito do Iguaçu, seguindo parâmetros de resiliência indicados para eventos naturais severos.