A perspectiva de aquecimento global preocupa cientistas que participam da COP30, em Belém. Durante apresentação no estande da Finlândia, o físico e climatologista Paulo Artaxo alertou que o planeta está muito próximo de ultrapassar o limite de 1,5 °C estabelecido no Acordo de Paris e pode seguir em direção a 2,8 °C. No Brasil, os efeitos podem ser ainda mais intensos, com projeções de elevação entre 4 °C e 4,5 °C em relação ao período pré-industrial.

Foto: Marizilda Cruppe/Anistia Internacional
Artaxo destacou que a eliminação do uso de combustíveis fósseis é urgente e deve ocorrer em uma transição justa e viável. Segundo ele, embora iniciativas de restauração ecológica contribuam para recuperar serviços ambientais, como o regime de chuvas, nenhuma técnica atual de remoção de CO₂ funciona na escala necessária ou com custos acessíveis. “O melhor caminho é atacar o problema pela raiz”, afirmou.
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O pesquisador integra um grupo de nove cientistas que divulgou uma declaração no Pavilhão de Ciências Planetárias. O texto reforça que cada aumento de 0,1 °C no aquecimento global amplia significativamente riscos como ondas de calor, incêndios florestais, tempestades extremas e impactos desproporcionais sobre populações vulneráveis, economias frágeis e povos indígenas. Por isso, defendem que a adaptação climática seja prioridade nas negociações.
Nos bastidores da COP30, o Brasil atua para formalizar um “mapa do caminho” global para abandonar os combustíveis fósseis, com etapas e metas concretas de descarbonização para todos os setores da economia. A proposta já recebeu apoio de diversos países europeus e nações em desenvolvimento, enquanto as negociações seguem até o encerramento da conferência, previsto para 21 de novembro.