ECONOMIA

Setor de duas Rodas da ZFM tem recorde de vendas em 2025

Além do recorde de vendas, o segmento movimentou R$ 41,6 bilhões em faturamento entre janeiro e dezembro de 2025, alta de 23% em relação ao ano anterior


O setor de Duas Rodas encerrou 2025 com desempenho histórico no mercado brasileiro. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram comercializadas no varejo 2,9 milhões de unidades ao longo do ano, o maior volume já registrado pela série histórica e um crescimento de 17,1% em comparação a 2024, quando 1,8 milhão de veículos foram vendidos. A maior parte da produção está concentrada na Zona Franca de Manaus (ZFM).

 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Além do recorde de vendas, o segmento movimentou R$ 41,6 bilhões em faturamento entre janeiro e dezembro de 2025, alta de 23% em relação ao ano anterior. A produção totalizou 1,9 milhão de motocicletas, avanço de 13,3% frente a 2024, configurando o melhor resultado desde 2018, período marcado por forte retração, quando o Polo Industrial de Manaus (PIM) produziu apenas 883 mil unidades. Embora a meta inicial de 2 milhões não tenha sido alcançada, a expectativa do setor é superar esse patamar em 2026.

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O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que a indústria projeta um novo ciclo de expansão. “A gente projeta um crescimento depois de uma longa espera. A nossa expectativa é voltar a produzir acima do patamar de 2 milhões de unidades, 2 milhões e 70 mil unidades, e um volume de exportação de 45 mil unidades e um varejo de 2,3 milhões de unidades”, declarou. Em 2025, o setor também registrou 20,6 mil empregos diretos no PIM e manteve capacidade instalada para produzir até 2 milhões de motocicletas e 500 mil bicicletas por ano.

Durante a apresentação dos números, Marcos Bento destacou que a demanda segue aquecida em todas as regiões do país, impulsionada por fatores como economia, mobilidade urbana e uso profissional das motocicletas. “A indústria segue investindo em tecnologia, na melhoria contínua dos processos produtivos e no desenvolvimento de novos modelos, acompanhando a evolução das necessidades do consumidor”, completou. No comércio exterior, as exportações alcançaram 43 mil unidades em 2025, aumento de 39% em relação ao ano anterior, com destaque para Argentina e Colômbia.

Ao comentar o cenário internacional, o presidente da Abraciclo avaliou que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de 2025 impactaram negativamente o mercado norte-americano, mas foram compensadas por outros destinos. “É claro que a gente tem um impacto negativo do tarifaço sobre as exportações dos Estados Unidos, mas que foram absorvidas por outros mercados como Austrália, Canadá e França”, afirmou. Ele também alertou para riscos logísticos decorrentes de conflitos internacionais recentes, como o fechamento do espaço aéreo do Irã e problemas no Canal do Panamá, ressaltando que “essa questão de conflito global com certeza afeta o nosso dia a dia, o da nossa logística principalmente”.

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No segmento de bicicletas, a Abraciclo projeta produção de 350 mil unidades em 2026, crescimento de 4,3% sobre as 335,5 mil fabricadas em 2025. Para o vice-presidente do setor, Fernando Rocha, os indicadores apontam retomada gradual. “Para 2026, a expectativa é de um cenário favorável, com lançamentos que ampliam as opções para o consumidor e acompanham a evolução do mercado. Os modelos elétricos devem ganhar reforço de forma consistente”, avaliou. Em 2025, o Sudeste liderou a absorção das bicicletas produzidas no PIM, com 55,5% do total.

Internamente, a Abraciclo observa com atenção fatores como a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados, o calendário de 2026 — marcado por feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições — e os desdobramentos da reforma tributária. A transição começou em 1º de janeiro de 2026, com a implementação das alíquotas iniciais do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). “O que nós e toda a indústria e o comércio temos falado são as regras do CBS, que vão impactar toda a economia. A nossa expectativa é que, para atingir esses volumes, a gente continue com o preço competitivo”, concluiu Marcos Bento.

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