O registro recente de novos casos do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta de autoridades sanitárias internacionais e levantou questionamentos sobre a possibilidade de a doença alcançar outros países, incluindo o Brasil. Especialistas, no entanto, avaliam que o risco de chegada do vírus ao território brasileiro é baixo diante das características epidemiológicas do patógeno.

Imagem: IA
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o Nipah voltou a chamar atenção após infectar cinco pessoas no estado indiano de Bengala Ocidental. A doença apresenta uma taxa de mortalidade elevada, que pode variar de 40% a 75%, dependendo da capacidade de resposta dos sistemas de saúde locais. Até o momento, não há vacina nem tratamento específico contra o vírus.
Continua depois da Publicidade
Em resposta ao novo surto, países como Tailândia, Nepal e Taiwan adotaram medidas sanitárias reforçadas em aeroportos e pontos de entrada internacionais, com o objetivo de evitar a importação de casos. Apesar disso, especialistas destacam que o cenário brasileiro é distinto, principalmente pela inexistência da raposa-voadora — espécie de morcego considerada o principal hospedeiro natural do vírus — nas Américas.
Os primeiros sintomas da infecção costumam ser semelhantes aos de uma gripe comum, como febre e mal-estar, mas a doença pode evoluir rapidamente para complicações neurológicas graves, incluindo encefalite. A transmissão ocorre tanto pelo contato com animais infectados quanto de pessoa para pessoa. Na Índia, dois dos casos confirmados envolveram profissionais de saúde que prestavam atendimento aos pacientes contaminados.
Embora o vírus Nipah esteja listado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre os agentes com potencial epidêmico, especialistas avaliam que seu impacto global seria mais limitado do que o observado na pandemia de coronavírus. Isso se deve, principalmente, às particularidades do contágio humano e à menor capacidade de disseminação em larga escala.
Continua depois da Publicidade
Mesmo com a avaliação de risco reduzido, autoridades de saúde seguem acompanhando a situação internacional, reforçando a vigilância e o monitoramento de possíveis casos suspeitos.