JUDICIÁRIO

Laudo da PF aponta que Bolsonaro pode permanecer em unidade prisional, mas tem risco de morte súbita

Perícia enviada ao STF afasta, por ora, internação hospitalar, mas indica necessidade de cuidados contínuos para evitar complicações graves


Um laudo médico produzido pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que, neste momento, não há indicação de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para um hospital em razão de seu estado de saúde. O documento, porém, destaca a necessidade de acompanhamento clínico rigoroso enquanto ele permanece custodiado.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

Segundo a avaliação, Bolsonaro apresenta sinais e sintomas neurológicos que podem aumentar o risco de novas quedas, o que exige investigação diagnóstica complementar. A perícia recomenda monitoramento diário, controle estrito da pressão arterial, hidratação adequada, uso regular de medicamentos, além de acesso facilitado a exames laboratoriais e de imagem e atendimento médico imediato em caso de intercorrências.

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O laudo também aborda possíveis consequências da falta desses cuidados. Em um dos trechos, a equipe médica responde objetivamente a um questionamento: “A não observância das medidas médicas descritas pode acarretar risco de complicações graves como pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, AVC, insuficiência renal, quedas com traumatismo craniano, ou morte súbita? Resposta: Sim.” Após receber o documento, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou o caso para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Paralelamente, a defesa voltou a pedir a concessão de prisão domiciliar ao STF. Os advogados alegam piora recente do quadro clínico, com registros de vômitos e crises intensas de soluços, e solicitaram maior rapidez na conclusão da perícia. Em 15 de janeiro, ao determinar a transferência de Bolsonaro da Superintendência da PF para a Papudinha, Moraes havia fixado prazo de dez dias para a elaboração do laudo que subsidia a decisão sobre eventual domiciliar ou remoção para hospital penitenciário.

Antes disso, em 19 de janeiro, o ministro enviou à PF 39 perguntas formuladas pela defesa para avaliar as condições de cumprimento de pena no sistema prisional e o risco à saúde do ex-presidente. Na mesma decisão, homologou o médico particular Dr. Cláudio Birolini como assistente técnico. A defesa sustenta que o risco de morte não é remoto, mas “risco concreto” e “previsível” sem uma estrutura de saúde contínua e complexa. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, relacionada à trama golpista, em Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha.

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