A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, voltou a ser condenada pela Justiça do Irã e teve sua pena ampliada para sete anos de prisão. Segundo sua defesa, as novas sentenças incluem seis anos por “conspiração e conluio” e um ano e meio por propaganda, além de dois anos de proibição de deixar o país. Pela legislação iraniana, as penas de prisão são cumpridas de forma simultânea.

Foto: Reihane Taravati/AFP via Getty Images
A notícia sobre o aumento da pena veio à tona após Mohammadi iniciar uma greve de fome. Em razão do estado de saúde considerado delicado, ela foi encaminhada a um centro médico na última segunda-feira e, depois do atendimento, retornou à prisão, conforme informou a fundação que leva seu nome. O advogado Mostafa Nili Mohammadi relatou que a ativista esteve hospitalizada dias antes e voltou ao centro de detenção.
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O defensor afirmou ainda, em publicação na rede X, que sua cliente enfrenta condenações adicionais relacionadas às acusações de conspiração e propaganda. “Ela foi condenada a seis anos de prisão por ‘conspiração e conluio’, um ano e meio por propaganda, além de dois anos de proibição de viajar”, escreveu. Ele também declarou que, quando Mohammadi começou a relatar detalhes de sua prisão recente por telefone, a ligação foi interrompida. A Fundação Narges Mohammadi descreveu o julgamento como uma farsa.
A trajetória de detenções da ativista se estende por décadas. Desde o fim dos anos 1990, ela foi presa ao menos 13 vezes. Condenada em seis processos diferentes, suas penas somadas ultrapassam 30 anos de prisão e incluem 154 chibatadas. Mohammadi, de 53 anos, estava detida na prisão de Evin, em Teerã, após ter sido presa em 2021. Em dezembro de 2024, obteve uma saída temporária. No mesmo mês, voltou a ser detida ao participar de uma cerimônia em memória do advogado Khosrow Alikordi, que morreu em circunstâncias consideradas nebulosas. O jurista representava réus em casos sensíveis, incluindo detidos na repressão aos protestos de 2022 no país.
Reconhecida internacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos e das mulheres, Mohammadi recebeu o Nobel da Paz “por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos”, segundo o Comitê Norueguês do Nobel. Como estava presa, seus filhos gêmeos receberam o prêmio em seu nome em Oslo. Ela não os vê há mais de dez anos e afirmou, em mensagem enviada no aniversário de 19 anos dos filhos, que foi proibida permanentemente de deixar o Irã.
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Mesmo fora da prisão em períodos temporários, a ativista manteve posicionamentos públicos, recusando-se a usar o véu, participando de videoconferências com audiências estrangeiras e se reunindo com outros ativistas no país. Ela também tem feito críticas ao sistema político iraniano e denunciado violações de direitos humanos, como a aplicação da pena de morte e a violência contra mulheres que não utilizam o véu islâmico.
De acordo com apoiadores, Mohammadi já sofreu vários ataques cardíacos enquanto esteve presa e passou por cirurgia de emergência em 2022. Em novembro de 2024, médicos identificaram uma lesão óssea potencialmente cancerígena, o que levou a novo procedimento cirúrgico. Apesar das condições de saúde e das sucessivas condenações, ela segue sendo uma das vozes mais conhecidas na denúncia de violações de direitos no Irã.