SEGURANÇA DIGITAL

Brasil enfrenta déficit de 500 mil profissionais em cibersegurança diante de mercado bilionário em expansão

Setor deve movimentar R$ 104,6 bilhões até 2028, mas escassez de especialistas amplia riscos para empresas e governos


O mercado brasileiro de cibersegurança deve acumular R$ 104,6 bilhões entre 2026 e 2028, com crescimento médio anual estimado em 16%. A expansão é impulsionada principalmente pela adoção de tecnologias como Inteligência Artificial, pelo modelo Zero Trust e pelo reforço das políticas internas de proteção e detecção de ameaças digitais.

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Apesar do cenário promissor, o país enfrenta um obstáculo significativo: a carência de aproximadamente 500 mil profissionais qualificados na área, segundo estudos especializados. A lacuna preocupa especialistas, pois amplia a vulnerabilidade de empresas e órgãos públicos a ataques virtuais.

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De acordo com Alberto Jorge, CEO da Trust Control, o déficit representa um dos principais desafios atuais do setor. “A falta de profissionais qualificados em cibersegurança é um dos maiores desafios que enfrentamos atualmente. A pandemia, ao acelerar a digitalização em diversos setores, agravou ainda mais essa lacuna”, afirma.

Ele alerta ainda para os riscos associados à escassez de mão de obra especializada. “Essa escassez aumenta a vulnerabilidade de empresas e governos a riscos como ataques de ransomware, vazamentos de dados e interrupções de serviços críticos”, destaca o especialista.

Diante desse cenário, cresce a demanda por serviços especializados, como o SOC (Security Operation Center), ou Central de Operações de Segurança, estrutura que funciona 24 horas no monitoramento de tentativas de invasão e roubo de informações.

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Impactos econômicos e necessidade de formação

A insuficiência de profissionais não apenas amplia a exposição a ciberataques, como também compromete a competitividade das organizações e a proteção de dados da população. “Os prejuízos vão desde perdas financeiras expressivas e danos à reputação até a interrupção de operações de sistemas e serviços públicos. Por isso, a cibersegurança é um investimento essencial para qualquer organização”, enfatiza Alberto Jorge.

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Para reduzir o déficit, o especialista aponta a capacitação como caminho estratégico. Segundo ele, é necessária uma atuação integrada entre governos, empresas e instituições de ensino superior, incentivando a formação na área desde os primeiros anos de estudo. “A criação de programas de incentivo, como bolsas de estudo e estágios, pode atrair jovens talentos para a área, garantindo a renovação da força de trabalho”, observa.

Além da formação de novos profissionais, a atualização constante daqueles que já atuam no mercado é considerada indispensável. “A cibersegurança é uma área em constante evolução. Os profissionais precisam acompanhar as novas tendências e ameaças para garantir a proteção dos sistemas”, afirma.

Ao reforçar a importância de investimentos contínuos em educação, tecnologia e treinamento, o CEO conclui: “A cibersegurança é um investimento imprescindível para o presente e, mais ainda, para o futuro. A escassez de profissionais qualificados é um risco que não podemos mais ignorar”.