SEGURANÇA DIGITAL

Internet na infância exige atenção: veja como reforçar o controle parental no celular

Com 93% dos jovens brasileiros conectados, especialistas apontam ferramentas e estratégias para reduzir riscos digitais e fortalecer o diálogo familiar


O acesso à internet já faz parte da rotina de crianças e adolescentes no Brasil. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Cetic.br/CGI.br, 93% dos jovens entre 9 e 17 anos utilizam a rede para estudar, se comunicar e se entreter. Apesar dos benefícios, o ambiente digital também apresenta riscos que preocupam pais e responsáveis.

Foto: NDABCREATIVITY/Adobe Stock

Sem acompanhamento adequado, os menores podem ficar vulneráveis ao vício em telas, ao cyberbullying, a golpes virtuais e ao contato com conteúdos impróprios. Diante desse cenário, cresce a busca por mecanismos de controle parental capazes de equilibrar proteção e autonomia.

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Critérios para escolher o melhor modelo

Antes de definir qual ferramenta adotar, é importante considerar alguns fatores. A idade da criança é determinante: na primeira infância (3 a 7 anos), recomenda-se bloqueio total e acesso restrito a conteúdos previamente autorizados. Entre 8 e 12 anos, a orientação é combinar gestão de tempo, aprovação de aplicativos e acompanhamento de localização. Já na adolescência (13 a 17 anos), monitoramento de redes sociais, geofencing e até espelhamento de tela podem ser alternativas para orientar sem retirar totalmente a independência.

Outro ponto é identificar o risco que mais preocupa a família — seja saúde e bem-estar (como excesso de tempo de tela e queda no rendimento escolar), exposição a conteúdos inadequados, segurança física ou impactos emocionais, como cyberbullying e más influências.

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Também pesam na decisão a facilidade de uso, a possibilidade de integração entre diferentes sistemas (como Android e iOS), a resistência contra tentativas de burlar bloqueios e o custo do serviço, que pode variar entre versões gratuitas e assinaturas premium com suporte técnico e atualizações frequentes.

Aplicativos especializados ampliam proteção

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Entre as opções disponíveis no mercado, o AirDroid Parental Control é apontado como uma solução robusta para famílias que desejam monitoramento mais completo. O aplicativo oferece recursos que vão além da localização em tempo real.

Entre as funcionalidades estão espelhamento de tela ao vivo, acompanhamento de notificações, bloqueio remoto do aparelho, definição de limites para aplicativos e sites, relatórios diários de uso e geofencing, que emite alertas quando o dispositivo entra ou sai de áreas determinadas.

Para utilizá-lo, o responsável deve baixar o AirDroid Parental Control em seu próprio celular e criar uma conta. Em seguida, é necessário instalar o AirDroid Kids no aparelho da criança, vincular as contas e configurar as restrições desejadas. A ferramenta é recomendada especialmente para pais de pré-adolescentes e adolescentes entre 10 e 16 anos, embora exija configuração inicial e o consentimento do menor.

Recursos nativos também são alternativas

Quem busca soluções gratuitas pode recorrer às ferramentas oferecidas pelos próprios sistemas operacionais. No Android, o Google Family Link permite controlar tempo de tela, aprovar ou bloquear aplicativos, verificar a localização do dispositivo e acessar relatórios de uso. A configuração envolve instalar o aplicativo no celular dos pais, criar ou vincular a conta Google da criança e definir permissões e limites.

Nos dispositivos da Apple, o recurso Tempo de Uso, disponível em iPhones e iPads, possibilita estabelecer limites para aplicativos e categorias, além de bloquear conteúdos impróprios e acompanhar relatórios de atividade. Basta acessar Ajustes, ativar o “Tempo de Uso” e configurar as opções para a família.

Proteção ampla via roteador e DNS

Outra estratégia é implementar filtros diretamente no roteador da residência ou por meio de serviços de DNS, como NextDNS ou Cloudflare Gateway. Essa modalidade bloqueia automaticamente categorias de sites, incluindo conteúdos adultos, apostas e páginas maliciosas, protegendo todos os dispositivos conectados ao Wi-Fi, sem necessidade de instalar aplicativos individuais.

Para configurar, é preciso criar uma conta na plataforma escolhida, definir os filtros desejados e aplicar o DNS no roteador ou nos aparelhos da casa. A alternativa é indicada para famílias que desejam proteção passiva e abrangente, válida para celulares, tablets, computadores e até televisores conectados.

Controle com diálogo e confiança

Especialistas alertam que a implementação do controle parental deve ocorrer de forma transparente, preservando a confiança entre pais e filhos. Manter diálogo constante sobre o uso responsável da tecnologia, estabelecer regras claras de tempo de tela e orientar sobre segurança digital são medidas essenciais.

Também é recomendável evitar o uso de celulares durante as refeições e dar exemplo de comportamento equilibrado no ambiente digital. A mediação familiar, quando bem conduzida, fortalece vínculos e contribui para hábitos mais saudáveis.

Em um cenário cada vez mais conectado, proteger crianças e adolescentes não significa vigiar excessivamente, mas orientar com responsabilidade. Seja por meio de aplicativos especializados, recursos nativos ou filtros de rede, a escolha adequada pode reduzir riscos e promover um uso mais consciente da tecnologia dentro de casa.