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Empresa Potássio do Brasil e indígenas Mura firmam acordo favorável à mineração em Autazes

Parceria prevê ações de desenvolvimento social, mas divergências entre comunidades indígenas ainda marcam o projeto


A mineradora Potássio do Brasil formalizou um acordo de cooperação com o Conselho Indígena Mura (CIM), no município de Autazes, no Amazonas. O entendimento foi apresentado ao mercado como um avanço nas relações com comunidades locais e, segundo a empresa, estabelece bases para iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à melhoria das condições de vida das populações indígenas.

Foto: Divulgação/Potássio do Brasil

De acordo com a companhia, o documento também estrutura o fortalecimento do Programa Bem Viver Mura, que contempla ações em áreas como desenvolvimento social, valorização cultural, geração de renda e fortalecimento institucional. O acordo ainda prevê mecanismos de acompanhamento contínuo, com reuniões periódicas entre as partes para monitorar a execução das iniciativas e promover ajustes quando necessário.

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Durante a assinatura, estiveram presentes representantes da empresa, incluindo o diretor do projeto, Raphael Bloise, além de integrantes do CIM, como o coordenador-geral Kleber Mura, o vice-coordenador Adnelson Mura e a secretária-geral Matilde Mura.

“Este acordo reforça nosso compromisso de construir, de forma responsável e transparente, uma relação de longo prazo com as comunidades do território”, afirmou Bloise.

Pelo lado do conselho, Kleber Mura destacou a importância da parceria para as aldeias representadas. “Garante que nossa voz continue sendo ouvida e que os benefícios cheguem diretamente às nossas comunidades. É um passo decisivo para o Bem Viver de nossas 37 aldeias”, declarou.

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Apesar do acordo, o projeto de exploração de potássio na região segue cercado por controvérsias. Parte do povo Mura se posiciona contrariamente à iniciativa e questiona a legitimidade de consultas anteriores. Em 2023, após a apresentação de uma ata que indicaria apoio ao empreendimento, comunidades de Autazes e Careiro da Várzea divulgaram manifestações negando consentimento e alegando irregularidades no processo.

As denúncias chegaram à Justiça Federal no Amazonas, que chegou a anular a consulta indígena, decisão posteriormente revertida. Em maio de 2025, a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), por maioria de votos, reconheceu a autorização de parte dos indígenas e validou licenças ambientais concedidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

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Outro ponto de tensão envolve a demarcação territorial reivindicada por comunidades Mura desde 2003. O tuxaua da aldeia Soares, Gabriel Mura, afirmou que lideranças pretendem levar a pauta ao governo federal durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.

“Queremos cobrar da Funai o avanço na demarcação do nosso território. Tinha uma previsão de que viessem no dia 9 de março para continuar, mas não apareceram. Mudou depois para o dia 17, mas também não vieram”, disse.

Caso o processo de demarcação avance, o projeto de exploração mineral poderá sofrer alterações. Enquanto isso, o acordo firmado com o CIM marca um novo capítulo na tentativa da empresa de consolidar sua atuação na região, em meio a um cenário de disputas internas entre comunidades indígenas.