A partir desta sexta-feira (5), entra em vigor a decisão do governo Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida, anunciada no dia 28 de maio, é vista por setores conservadores como um reconhecimento internacional da gravidade do crime organizado no Brasil — um problema que, na avaliação de críticos do governo Lula, não tem recebido resposta à altura das autoridades brasileiras.

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O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, facções com ramificações internacionais e envolvimento comprovado no tráfico de drogas transnacional, são as principais organizações atingidas pela classificação. Para defensores da medida, enquadrar essas organizações como terroristas é um passo necessário para dificultar suas operações financeiras e logísticas ao redor do mundo.
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O governo Lula reagiu com críticas, alegando que a decisão abre margem para interferência nos assuntos internos do país. O Palácio do Planalto defende que o combate ao crime deve ocorrer por cooperação internacional respeitando as soberanias nacionais.
Há, contudo, um contraponto relevante: o Brasil convive há décadas com facções que dominam territórios, executam adversários, corrompem agentes públicos e exportam drogas para outros continentes. A omissão ou leniência do Estado brasileiro diante desse quadro é justamente o que, segundo analistas de segurança pública, levou Washington a agir de forma unilateral.
No campo econômico, governo e especialistas alertam para possíveis impactos sobre turismo, investimentos, comércio exterior e o sistema financeiro. A avaliação é legítima e merece atenção — embora críticos apontem que os maiores danos à imagem e à economia do Brasil já vêm sendo causados, há anos, pela própria expansão do crime organizado, e não pela classificação em si.
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A medida se insere em um movimento mais amplo da política externa americana. O governo Trump tem aplicado a mesma classificação a cartéis mexicanos e a organizações criminosas da Venezuela, do Equador e da Colômbia. Em março, lançou o Escudo das Américas, coalizão com países alinhados a Washington para o combate ao narcotráfico, iniciativa que também visa conter a influência de China e Rússia na região.