Os trabalhadores do transporte coletivo de Manaus aprovaram, em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira (01/07), a deflagração de uma greve geral a partir da próxima terça-feira (07/07). A paralisação foi aprovada em meio a reclamações de atrasos frequentes no pagamento de salários e benefícios, situação que, segundo a categoria, se arrasta há meses sem uma solução definitiva.

Foto: divulgação
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviário e Urbano de Manaus e no Amazonas (STTRM), caso não haja acordo entre trabalhadores, empresas e poder público até a data prevista, a greve poderá comprometer a circulação dos ônibus e afetar milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo na capital.
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Segundo o presidente do STTRM, Givancir Oliveira, os rodoviários decidiram recorrer à paralisação após sucessivas tentativas de negociação sem avanços. “O trabalhador já cansou de esperar. Existe um processo na 13ª Vara do Trabalho que pode resolver essa situação, garantindo que os salários sejam pagos em dia, como determina a lei”, afirmou.
Salários e benefícios atrasados
Ainda conforme o dirigente sindical, os atrasos não se limitam aos salários. Benefícios como a cesta básica e o adiantamento quinzenal também estariam sendo pagos fora do prazo, comprometendo o orçamento das famílias dos trabalhadores. “O salário atrasa, a cesta básica atrasa, a quinzena atrasa. Isso acontece de forma reiterada e prejudica diretamente os trabalhadores e suas famílias”, declarou.
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Givancir Oliveira atribui o problema à falta de repasses do Governo do Amazonas referentes ao subsídio do passe estudantil. Segundo ele, as empresas que operam o sistema de transporte coletivo deixaram de receber entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões.
Impasse na Justiça do Trabalho
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A situação também é alvo de uma Ação Civil Pública (nº 0000950-65.2025.5.11.0013), em tramitação na 13ª Vara do Trabalho de Manaus. O processo envolve nove empresas do sistema de transporte coletivo, além da Prefeitura de Manaus e do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).
Entre as empresas citadas estão a Viação São Pedro, Auto Ônibus Líder, Expresso Coroado, Global GNZ Transportes – atualmente em recuperação judicial – e Via Verde.
Em despacho assinado no último dia 29 de junho, o juiz do Trabalho Diego Enrique Linares informou que o sindicato comunicou o não pagamento do adiantamento salarial de 40% referente ao mês de junho e solicitou o bloqueio de valores das empresas, além da aplicação de multa diária.
Na mesma decisão, o magistrado registrou que o sindicato informou a existência de um acordo extrajudicial e o compromisso da Prefeitura de Manaus de efetuar o pagamento naquela data, o que levou ao adiamento da paralisação anteriormente anunciada.
O juiz também determinou que o sindicato informasse, no prazo de 24 horas, se os pagamentos haviam sido realizados. Caso contrário, deveria indicar quais empresas permaneciam inadimplentes. A análise do pedido de tutela de urgência ficou condicionada ao envio dessas informações.
Sem uma solução definitiva para os atrasos, a categoria decidiu manter o movimento e aprovou a greve para o próximo dia 7 de julho.
Coletiva de imprensa
O STTRM convocou uma coletiva de imprensa para esta quarta-feira, às 15h, na sede da entidade. A expectativa é que o sindicato detalhe as reivindicações da categoria, apresente um panorama das negociações e esclareça como deverá ocorrer a paralisação.