CIDADES

Bar do Armando enfrenta despejo e mobiliza apoio popular em defesa da memória de Manaus

Família nega inadimplência e faz apelo para manter o bar no endereço histórico


O Bar do Armando, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas e localizado na rua 10 de Julho, nº 593, no Centro de Manaus, tem sido tema de intenso debate nas redes sociais nos últimos dias. A mobilização ocorre após a divulgação de uma ação de despejo, já que o imóvel onde funciona o tradicional estabelecimento é alugado.

Foto: Divulgação

Na tarde desta segunda-feira (13/07), Ana Claudia Soeiro Soares, filha do fundador Armando Soares, e o advogado do estabelecimento, Fausto Ventura, concederam uma coletiva de imprensa no próprio bar para esclarecer a situação e sensibilizar a sociedade e as autoridades sobre o risco de o espaço deixar o endereço onde funciona há mais de seis décadas.

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“O Bar do Armando tem 63 anos de convívio com o povo, cheio de histórias e que faz parte da vida do amazonense. É uma referência e merece um zelo maior. Faço um apelo às autoridades para que tenham um olhar mais aguçado para o drama que é perder o Bar do Armando deste local para o povo manauara”, destacou Fausto Ventura.

Durante a coletiva, Ana Claudia que administra o estabelecimento relembrou que, na gestão do ex-prefeito Arthur Neto, houve uma tentativa de manter o bar no mesmo local por meio de uma proposta feita ao proprietário do imóvel.

“Não era questão de imóvel, porque o prefeito da época, Arthur Neto, ofereceu para a Igreja. ‘Vocês querem imóvel? A Prefeitura pode ceder para vocês o imóvel que vocês quiserem, onde vocês quiserem.’ Mas eles queriam o Bar do Armando”, afirmou.

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A proprietária também rebateu informações que circulam nas redes sociais de que a ação de despejo teria sido motivada por falta de pagamento do aluguel. “Nós fomos acusados na internet de não pagar o aluguel. A ação que eles movem contra a gente é para uso próprio e não por falta de pagamento. Todos os meses eu deposito o aluguel, mensalmente e em juízo”, declarou.

Usucapião

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Outro ponto abordado foi a possibilidade de um pedido de usucapião (direito que permite a uma pessoa adquirir a propriedade de um bem móvel ou imóvel após utilizá-lo por um longo período de forma contínua, pacífica e sem contestação, como se fosse o dono) hipótese que, segundo Ana Claudia, jamais foi cogitada pela família.

“Nós nunca entramos com usucapião, mesmo que fosse legal. Mas não era possível. E, se fosse possível, não entraríamos, porque nem tudo que é legal é moral. Também nunca proibimos nenhum padre de entrar no bar. Isso é mentira, nunca aconteceu. Ontem mesmo um garçom me falou que tinha um padre capuchinho aqui no bar tomando uma cerveja. Não vou citar o nome dele”, disse.

História, memória e identidade

Mais do que um ponto tradicional da boemia manauara, o Bar do Armando representa um espaço carregado de memórias afetivas para diferentes gerações de frequentadores. Para Ana Claudia, a possível saída do imóvel também significa reviver parte da própria história de vida.

“Quando nasci na Beneficente Portuguesa, vim de lá para cá e fiquei até os meus 13 anos. Lembro que era só um galpão sem forro, que depois foi dividido entre a minha casa, que ficava nos fundos, e o bar, que ficava na frente. Está sendo muito difícil”, desabafou emocionada.