ESPERANÇA

Cientistas dizem que proteína pode ser pista para prevenir o Alzheimer

Durante a investigação, os cientistas identificaram que a “reelina aprimorada” parecia estar protegendo uma parte muito específica do cérebro do paciente


Um estudo realizado pelo cientista Joseph Arboleda-Velasquez, professor associado de oftalmologia da Universidade de Harvard, foi divulgado nessa segunda-feira (15) na revista “Nature Medicine”, onde o pesquisador apresenta o caso de um homem que possuía uma mutação genética que manteve normal sua função cerebral por décadas, apesar do histórico familiar de Alzheimer. Conforme os cientistas, é preciso entender como essa alteração pode ajudar a prevenir o mal de Alzheimer em outras pessoas.

Foto: iStock

Segundo Joseph, um homem que fazia parte de uma família de Antioquia, na Colômbia, tinha grandes chances de desenvolver a doença devido a muitos casos identificados no seio familiar que herdaram um gene mutante chamado “presenilina-1” ou PSEN1.

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Os portadores de PSEN1 quase sempre desenvolvem Alzheimer antes da terceira idade, porém o que parecia mais um caso de perda precoce de memória, o homem pode ter sido protegido por uma rara alteração genética que melhorou a função de uma proteína que ajudou as células nervosas a se comunicarem.

ENtretanto, o paciente com a mutação PSEN1 apresentou problemas leves de memória e pensamento, aos 72 anos, depois experimentou mais declínio de memória e uma infecção. O paciente morreu de pneumonia aos 74 anos.

Após a morte do homem, os médicos examinaram seu cérebro e descobriram que ele continha um excesso de “beta-amiloide e tau”, que são duas proteínas que acumulam em cérebros de pessoas com Alzheimer. Porém, os médicos identificaram também após uma análise genética que o certo homem também tinha uma rara alteração em um gene que codifica uma proteína chamada “reelina”, que ajuda as células nervosas a se comunicarem.

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Segundo Arboleda-Velasquez, “neste caso, ficou muito claro que esta variante da reelina faz com que a mesma funcione melhor”. O cientista completou dizendo que “Isso nos dá uma visão enorme […] Isso torna muito óbvio que apenas colocar mais reelina no cérebro pode realmente ajudar os pacientes”, disse.

Durante a investigação, os cientistas identificaram que a reelina aprimorada parecia estar protegendo uma parte muito específica do cérebro do paciente, em uma região que fica atrás do nariz (córtex entorrinal) na base do cérebro. Para Joseph, a proteção não precisa ser aplicada em todo o cérebro.

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O córtex entorrinal é sensível ao envelhecimento e a doença de Alzheimer. A região tem a função de enviar e receber sinais relacionados ao olfato. A perda do olfato costuma ser um prenúncio de alterações cerebrais que levam a dificuldades de memória e pensamento.

“Assim, quando a pessoa tem Alzheimer, ela começa no córtex entorrinal e depois se espalha”, disse o cientista. Esta é a segunda vez que Arboleda-Velasquez e a equipe que estuda essa família extensa encontra alguém que desafia suas probabilidades genéticas.

Outro caso registrado pelos cientistas em 2019, foi o de uma mulher que deveria ter desenvolvido precocemente a doença de Alzheimer, porém manteve sua memória funcional até os 70 anos.

Nesse caso, a paciente, carregava duas cópias de uma alteração em seu gene APOE3 que foi apelidada de mutação de Christchurch. E aparentemente diminuiu a atividade da proteína APOE3. Como a reelina, a APOE é uma molécula que desempenha um papel na formação do risco de Alzheimer de uma pessoa. Segundo os cientistas, existe uma ligação entre esses dois casos: os receptores nas células para reelina são os mesmos receptores para APOE.

Joseph, declara que os dois pacientes demonstram uma direção a ser seguida para a cura da doença.  “Portanto, esses dois pacientes estão apontando como grandes setas. Eles estão nos dizendo: ‘Ei, este é o caminho. Este é o caminho importante para proteção extrema contra a doença de Alzheimer’”, disse.

Entretanto, os estudos apontam que o caminho pode não ser tão protetor para os dois gêneros.  A irmã do paciente do atual estudo científico, também compartilhou a rara mudança genética protetora, embora a mutação a tenha ajudado, o resultado não foi prolongado. Conforme a família, ela começou a apresentar declínio mental aos 58 anos.

Segundo Arboleda-Velasquez, nas mulheres, a atividade do gene parece cair com a idade, então não produz tanta proteína reelina. “Elas podem ter a variante, mas não a expressam tanto quanto os homens”, declarou.