Uma ofensiva policial contra a prática de empréstimos ilegais no Amazonas resultou na desarticulação de um esquema de agiotagem que, segundo as investigações, movimentava valores milionários e envolvia extorsões, ameaças e lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Tormenta, a ação foi deflagrada na manhã de quinta-feira (12) pela Polícia Civil do Amazonas.

Imagens: Arquivos SSP-AM
Os trabalhos foram coordenados pelo delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia. Conforme a apuração, o grupo era composto por empresários, cobradores e até um funcionário de instituição religiosa. As investigações começaram há cerca de um mês, após uma vítima denunciar que vinha sofrendo ameaças de diferentes núcleos ligados à agiotagem.
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Durante o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão, foram detidos Elton Campos Cardoso, Íkaro Michel Pessoa, Jackson Josué Farias Carvajal, Paulo Sérgio Ramos Pacheco, Rick dos Santos Brandão e Wallace Matos dos Santos. Outros três investigados seguem foragidos. Também foram expedidos 17 mandados judiciais para bloqueio de ativos financeiros de pessoas e empresas relacionadas ao esquema.
As apreensões incluem 30 veículos, R$ 17 mil em dinheiro, cinco armas de fogo, centenas de munições de vários calibres, computadores, celulares, contratos fraudulentos e grande quantidade de documentos pessoais e CNHs de vítimas. De acordo com a polícia, esses materiais eram usados para garantir dívidas e pressionar devedores. Em alguns casos, os suspeitos tomavam posse de veículos, joias, imóveis e eletrônicos, além de reter cartões bancários e operar aplicativos financeiros das vítimas para retirar valores diretamente dos salários.
As investigações indicam que os empréstimos eram feitos com juros abusivos, que podiam ultrapassar 50% ao mês. Servidoras públicas de tribunais estaduais apareciam entre os principais alvos. O grupo também é suspeito de monitorar vítimas perto de prédios públicos e de planejar possíveis ataques contra veículos oficiais. Para ocultar a origem do dinheiro, os valores eram direcionados a empresas de fachada.
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Os investigados poderão responder por associação criminosa, usura, extorsão, roubo majorado, falsidade ideológica, porte e posse ilegal de arma de uso restrito, falsa identidade e lavagem de capitais. Todos passarão por audiência de custódia e ficarão à disposição da Justiça. A polícia divulgou ainda a identificação de Bruno Luan Oliveira Vasquez, Ismael Geandre Souza Azevedo e Gustavo da Silva Albuquerque como procurados. Informações podem ser repassadas aos canais de denúncia do 1º DIP, da Polícia Civil ou da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.