O Comitê Norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira (10), em Oslo, que o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido à Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana. A distinção reconhece o seu “trabalho incansável na defesa dos direitos democráticos do povo da Venezuela e na busca por uma transição pacífica do autoritarismo para a democracia”, segundo comunicado oficial.

Foto: Alfredo Lasry R—Getty Images
Segundo o presidente do Comitê, Jorge Watne Frydnes, a ação de Corina demonstra coragem para que a Venezuela seja um país mais democrático.
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“Como líder do movimento democrático na Venezuela, Maria Corina Machado representa um dos exemplos mais notáveis de coragem civil na América Latina nas últimas décadas”, afirmou durante o anúncio.
Ele destacou que, em contextos de repressão política, é essencial valorizar aqueles que resistem à opressão. “Quando regimes autoritários assumem o poder, é fundamental reconhecer os defensores da liberdade que se erguem e enfrentam os riscos”, declarou.
Em outra parte do comunicado, o Comitê ressaltou que “a democracia depende de pessoas que se recusam a se calar, que escolhem agir apesar das ameaças, e que lembram ao mundo que a liberdade precisa ser constantemente defendida — com palavras, coragem e determinação”.
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Símbolo da resistência venezuelana
Maria Corina Machado se tornou símbolo da resistência ao governo de Nicolás Maduro, enfrentando perseguições políticas, processos judiciais e ameaças constantes. Em 2024, foi escolhida candidata presidencial da oposição, mas teve sua candidatura impedida pelo regime chavista.
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Diante da proibição, transferiu o apoio ao também opositor Edmundo González Urrutia, que passou a liderar a coligação democrática.
Após as eleições de 28 de julho de 2024, Corina passou a viver na clandestinidade, sendo posteriormente detida durante uma manifestação contra o regime, na véspera da posse de Maduro, em 10 de janeiro deste ano.
Eleições contestadas e apoio internacional
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela proclamou Nicolás Maduro vencedor do pleito, mas o órgão — amplamente considerado controlado pelo governo — não divulgou as atas eleitorais oficiais, alegando ter sofrido um ataque hacker.
A oposição, por sua vez, apresentou atas obtidas junto aos fiscais eleitorais e garante que Edmundo González Urrutia venceu a disputa. O resultado alternativo ganhou reconhecimento de diversos países, especialmente dos Estados Unidos, que passaram a considerar González Urrutia o presidente eleito da Venezuela.
Cerimônia e incertezas
O Prêmio Nobel da Paz, avaliado em 11 milhões de coroas suecas, será entregue no dia 10 de dezembro, em Oslo, data que marca o aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, criador da premiação.
O presidente do Comitê, no entanto, afirmou que não há confirmação de que Maria Corina Machado poderá comparecer à cerimônia, já que permanece escondida devido à perseguição política em seu país.