ELEIÇÕES ARGENTINA

Partido de Milei consolida maioria no Congresso e amplia poder político na Argentina

Com 40,8% dos votos, La Libertad Avanza garante vantagem nas eleições legislativas e fortalece base governista


O partido La Libertad Avanza (LLA), liderado pelo presidente argentino Javier Milei, obteve uma vitória expressiva nas eleições legislativas realizadas neste domingo (26). O partido de Milei, conquistou 64 das 127 cadeiras em disputa na Câmara e 13 das 24 no Senado, aumentando sua base no Congresso.

Foto: Tomás Cuesta/Getty Images

A conquista representa um marco político para o governo Milei, que passa a contar com maior sustentação parlamentar para avançar em sua agenda de reformas econômicas e desregulamentação do Estado. O desempenho nas urnas fortalece a governabilidade do presidente nos dois anos restantes de mandato.

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Com ampla margem, o LLA superou o bloco oposicionista Fuerza Patria, de orientação peronista (centro-esquerda), que alcançou 24,5% dos votos, contra 40%, da sigla do atual presidente. Até então, o partido de Milei possuía cerca de 15% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 10% no Senado. Agora, com a nova configuração, o governo assegura o controle de um terço dos assentos no Parlamento — número considerado pelo próprio presidente como “um bom resultado”, suficiente para garantir o poder de veto presidencial em votações estratégicas.

Apesar da vitória, analistas políticos preveem que o governo precisará adotar uma postura mais pragmática nas negociações parlamentares. A cientista política Lara Goyburu, em entrevista à agência France-Presse (AFP), afirmou que Milei deve “recuperar a capacidade de negociação que lhe permitiu aprovar leis” no início do mandato. Desde 2023, o presidente tem recorrido a decretos e acordos pontuais para governar, mas enfrenta resistência crescente no Congresso, que reage às críticas e ataques verbais feitos por ele a parlamentares, como quando os chamou de “ninho de ratos” e “degenerados”.

A oposição moderada, o setor produtivo argentino e organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), vêm pedindo que Milei amplie o diálogo político e social para garantir apoio às reformas propostas. Entre as medidas planejadas até 2027 estão mudanças fiscais, flexibilização das leis trabalhistas e ajustes no sistema de proteção social.

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Mesmo diante das críticas, o governo reivindica avanços econômicos. Sob a gestão de Milei, a inflação anual caiu de mais de 200% para 31,8%, e o país alcançou um equilíbrio orçamentário inédito em 14 anos, segundo dados divulgados pela AFP. No entanto, o chamado “maior ajuste orçamentário da história” trouxe efeitos severos: perda de mais de 200 mil empregos e contratações discretas na faixa de 1,8% na atividade econômica em 2024, com uma recuperação projetada para 2025 que ainda apresenta sinais de fragilidade.