Um relatório sigiloso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), elaborado em 2018, revelou a formação de uma rede transnacional de narcotráfico que conecta dissidentes das Farc, grupos armados da Venezuela e facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho. O documento aponta que o Brasil passou a ocupar papel central nas rotas do tráfico na América do Sul, com a Amazônia transformada em um importante corredor para drogas e armas.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/06.07.2024
Mais de sete anos depois, as conclusões do relatório continuam atuais. Dados da Segup (Secretaria de Segurança Pública do Pará) mostram que, apenas entre janeiro e abril de 2025, foram apreendidas mais de seis toneladas de drogas, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Diante do avanço das facções, os governos de Brasil e Colômbia criaram um centro de cooperação policial em Manaus para combater o crime organizado na região amazônica.
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O documento da Abin relaciona o fortalecimento das rotas ilegais ao processo de fragmentação das Farc após o Acordo de Paz. Ex-integrantes da guerrilha mantiveram o controle de áreas produtoras e de transporte de cocaína, disputadas por novos grupos armados como o Clã do Golfo e o ELN. Aproveitando a crise política na Venezuela, essas organizações expandiram suas atividades até a fronteira brasileira, aproveitando a fragilidade do controle estatal.
A Abin também destaca o uso crescente dos rios amazônicos, como a rota do Solimões, para o transporte de drogas vindas da Colômbia. O Acre é citado como um ponto estratégico de conexão entre fluxos criminosos da Colômbia, Venezuela e do centro do Brasil. Dentro do território nacional, o PCC e o CV dominam a distribuição e mantêm parcerias com intermediários estrangeiros, consolidando o Brasil como elo fundamental de exportação de cocaína para a África e a Europa.
O relatório conclui que a porosidade das fronteiras e a cooptação de agentes públicos aumentam a vulnerabilidade do país. A integração entre facções brasileiras e redes estrangeiras representa um risco à segurança regional, ampliando o poder do narcotráfico. A Abin recomenda o fortalecimento da cooperação internacional de inteligência e segurança, ressaltando que o monitoramento constante das fronteiras é essencial para antecipar novas estratégias e conexões do crime organizado na América do Sul.