Para quem não sabe, o termo “neurotecnologia” refere-se às diferentes tecnologias usadas sobretudo na medicina, voltadas para entender, visualizar, controlar, reparar ou melhorar as funções do cérebro. Sem dúvidas é um campo de pesquisas que é tão revolucionário quanto a inteligência artificial (IA), mas que também pode trazer dilemas éticos.

Reprodução
As aplicações desse tão importante ramo da ciência são as mais variadas, indo desde uma tradicional ressonância magnéticas até tecnologias mais avançadas, como a que permite comunicação direta entre o cérebro e os mais diferentes dispositivos externos, ao ponto de transformar os pensamentos diretamente em palavras e, em casos mais extremos… fazer pessoas paralíticas andar
Continua depois da Publicidade
Em virtude da falta de conhecimento mais detalhado da população sobre a neurotecnologia, os próprios pesquisadores já afirmam que “as pessoas não sabem até que ponto já estamos na ficção científica”. Ou seja, o que antes era apenas um sonho ou visto apenas nos filmes, hoje já começa a virar realidade graças ao uso técnicas de estimulação cerebral para o tratamento de condições neurológicas e até psiquiátricas.
Não há dúvidas que essas tecnologias melhoram significativamente a qualidade de vida assim como influenciam direta e indiretamente o desenvolvimento de novos medicamentos, mas também leva a questões éticas que precisam ser debatidas, como privacidade mental, livre arbítrio e o uso responsável das tecnologias.
Apesar do grande potencial, o ponto em questão é de como a neurotecnologia pode ser explorada sem prejudicar as pessoas, quando falo de “prejudicar” é no sentido de ser uma grande invasão de privacidade, uma espécie de estrada para que informações ainda mais pessoais, como pensamentos, humor e memórias sejam utilizados de forma não ética.
Continua depois da Publicidade
Digo isso porque, em um mundo tão corrido em que vivemos, é bem provável que boa parte da população mais cedo ou mais tarde sofrerá algum tipo de distúrbio neurológico, por isso, os avanços da neurotecnologia são fundamentais para entender como funciona o cérebro humano, mas é preciso tomar muito cuidado quando o foco vai além da medicina.
Só para citar um exemplo e esclarecer melhor o meu ponto de vista: Neuralink, a empresa do bilionário Elon Musk, parece nadar contra a maré, pois enquanto muitas empresas e neurocientistas trabalham juntos para desenvolverem métodos para o tratamento de depressão, paraplegia e doença de Parkinson, a Neuralink pretende implantar milhões de chips cerebrais nos próximos anos não para fins médicos, e sim para coletar informações sobre preferências, intenções e desejos das pessoas. Isso seria correto? ou melhor dizendo… ético?
Continua depois da Publicidade
A ideia é altamente preocupante e o pior, já está em andamento pois o objetivo da Neuralink é convencer um número significativo de pessoas a compartilhar seus dados neurais para fins comerciais, como estratégias de mercado a fim de entender as preferências e influenciar até no tipo de compra dos consumidores, parece futurista né? porém é real e tendencia é se desenvolver a nível exponencial e voluntários é que não faltam, acreditem se quiser.
Agora vem o “X” da questão, de um lado as empresas que conseguem coletar um grande conjunto de dados para treinar algoritmos com maior eficiência e tornar tratamentos médicos mais eficazes e de outro temos as empresas pensem em aplicar a neurotecnologia com outros propósitos, como o citado acima, esquecendo de um detalhe crucial e preocupante: se um paciente morrer ou ficar com sequelas irreversíveis, isso minará a confiança na neurotecnologia e na comunidade cientifica como um todo e todo progresso já feito até hoje em prol da boa ciência ficará abalado, podendo ter um efeito direto nas pessoas que mais precisam, ou seja, os doentes.