Um levantamento realizado em 19 propriedades comerciais de soja no sudoeste de Goiás concluiu que o modelo de agricultura regenerativa é eficiente no controle de pragas e pode ser adotado em larga escala sem prejuízo à produtividade. O estudo integra o projeto Regenera Cerrado e foi publicado na plataforma ScienceDirect.

Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux
De acordo com os pesquisadores, os resultados demonstram que o sistema regenerativo favorece o equilíbrio biológico das lavouras ao estimular o crescimento populacional de inimigos naturais das pragas. Entre os organismos beneficiados estão as tesourinhas (Dermaptera), que atuam como predadores de lagartas e tripes, funcionando como uma “segunda linha de defesa” nas plantações.
Continua depois da Publicidade
A pesquisa indica que o controle biológico reduz significativamente a necessidade de aplicação de inseticidas de amplo espectro. No modelo convencional, o combate às pragas depende majoritariamente de defensivos químicos, enquanto no sistema regenerativo são priorizados bioinsumos e o fortalecimento dos predadores naturais.
Outro ponto destacado pelo estudo é a gestão do ambiente produtivo. A manutenção da palhada e da cobertura permanente do solo cria um microclima mais estável, com controle de temperatura e umidade. Esse cenário favorece o ciclo de vida dos organismos benéficos e contribui para uma “resiliência natural” que não é observada em áreas com solo exposto.
No comparativo entre os dois modelos, ambos apresentam alta produtividade. No entanto, o manejo regenerativo se diferencia pela menor dependência de insumos químicos, maior equilíbrio biológico e sustentabilidade a longo prazo. Segundo os responsáveis pelo projeto Regenera Cerrado, a experiência em Goiás comprova que o sistema é escalável para grandes áreas de soja e milho, conciliando rentabilidade, sustentabilidade ambiental e maior capacidade de resposta a crises climáticas e pragas resistentes.