O governo da Venezuela, sob o comando do ditador Nicolás Maduro — aliado político declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — iniciou a cobrança de tarifas entre 15% e 77% sobre produtos brasileiros, atingindo diretamente a economia do Estado de Roraima. A medida, fere acordos do Mercosul e foi adotada sem qualquer aviso prévio ou negociação diplomática.

Foto: JHONN ZERPA / Venezuelan Presidency / AFP
Mesmo nos casos em que haveria isenção tarifária mediante apresentação de certificados de origem, como previsto em tratados comerciais, as taxas foram cobradas. A denúncia partiu da Folha de Boa Vista, que noticiou o impacto direto nas exportações da região norte do Brasil.
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O governo de Roraima, comandado por Antonio Denarium (PP), reagiu com preocupação e solicitou explicações ao Ministério das Relações Exteriores. Em nota oficial, Denarium alertou para os riscos de colapso econômico regional, uma vez que mais de 70% das exportações de Roraima têm como destino o mercado venezuelano.
“A Venezuela é atualmente o principal parceiro comercial de exportações do nosso estado, sendo responsável por mais de 70% da movimentação externa registrada nos últimos anos. Qualquer medida que encareça os produtos brasileiros no mercado venezuelano afeta significativamente a competitividade das nossas mercadorias, com impacto direto sobre os empresários locais, o agronegócio, a geração de empregos e a arrecadação estadual”, afirma a nota do governo estadual.
A atitude do regime chavista de Maduro surpreendeu até mesmo setores diplomáticos brasileiros. A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER) declarou estar conduzindo apurações para entender por que a Venezuela passou a rejeitar os certificados de origem brasileiros, e já entrou em contato com as autoridades dos dois países para reverter a medida.
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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ao ser questionado sobre o caso, preferiu não confirmar oficialmente o aumento das tarifas, mas reconheceu ter recebido relatos de dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros na Venezuela. A pasta afirmou ter solicitado apoio à Embaixada do Brasil em Caracas, que agora busca esclarecimentos junto ao governo venezuelano.
Segundo dados do próprio MDIC, a Venezuela liderou o ranking de destino das exportações roraimenses entre janeiro e junho de 2025, com um total de US$ 41,5 milhões movimentados. Um colapso na relação bilateral representaria um golpe direto ao comércio exterior da região.
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Veja a seguir, as notas do Governo de Roraima, Mdic e Fier:
Nota do governo de Roraima:
“O Governo do Estado de Roraima, sob a liderança do governador Antônio Denarium, acompanha com grande preocupação as informações sobre a elevação da alíquota do imposto Ad Valorem por parte do governo venezuelano, que atinge diretamente produtos de origem brasileira exportados por Roraima”.
“A Venezuela é atualmente o principal parceiro comercial de exportações do nosso estado, sendo responsável por mais de 70% da movimentação externa registrada nos últimos anos. Qualquer medida que encareça os produtos brasileiros no mercado venezuelano afeta significativamente a competitividade das nossas mercadorias, com impacto direto sobre os empresários locais, o agronegócio, a geração de empregos e a arrecadação estadual”.
“Diante dessa situação, o Governo de Roraima está em contato com o Ministério das Relações Exteriores e demais autoridades federais, buscando esclarecimentos e alternativas diplomáticas para preservar o equilíbrio da relação comercial entre os dois países”.
“Reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos interesses da economia roraimense e nos colocamos à disposição para fornecer mais informações por meio de entrevista com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que acompanham de perto o cenário das exportações regionais”.
Nota do governo do Mdic:
“O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) recebeu relato sobre dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros na Venezuela. O tema está sendo acompanhado em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que acionou a Embaixada do Brasil em Caracas. A Embaixada, por sua vez, já está em contato com autoridades venezuelanas para esclarecer a situação, ao tempo em que o MDIC está em diálogo com representantes do setor produtivo para reunir informações mais detalhadas sobre os casos reportados”.
Nota da Fier:
“O Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER) informa que já iniciou apurações internas para identificar as dificuldades quanto à aceitação dos Certificados de Origem de produtos brasileiros por parte das autoridades venezuelanas.
“Paralelamente, está em contato direto com as autoridades competentes do Brasil e da Venezuela, em busca de esclarecimentos e soluções rápidas que visem a normalização do fluxo comercial bilateral.
“Esclarece que, até o momento, os processos de emissão e reconhecimento dos certificados seguem rigorosamente as normas da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e os termos previstos no Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), firmado entre os dois países.
“Reitera o compromisso da FIER com a transparência, a celeridade e o diálogo permanente com os setores envolvidos, a fim de preservar e fortalecer as relações comerciais”.