O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta segunda-feira (2) que a recente valorização do petróleo, após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, não deve provocar impacto inflacionário significativo no Brasil, desde que o preço do barril permaneça na faixa entre US$ 75 e US$ 85.

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Durante participação em evento promovido pelo jornal Valor Econômico, Ceron explicou que o cenário precisa ser analisado dentro de um contexto de tensão internacional considerada controlável. “Claro que isso pensando em um cenário de uma tensão e incerteza até certo ponto controlável, não num cenário de barril acima de US$ 100”, ponderou.
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Segundo ele, os efeitos sobre os preços internos tendem a ser moderados, especialmente porque o país vive um momento de apreciação cambial. “A pressão inflacionária que ele gera é relativa, uma vez que a gente também está vivenciando uma apreciação cambial significativa”, destacou.
Ceron ressaltou ainda que o Brasil ocupa posição estratégica por ser exportador de petróleo. Nesse contexto, a elevação das cotações internacionais favorece a balança comercial e pode ampliar as receitas públicas. Do ponto de vista fiscal, ele avaliou que, se o barril permanecer até US$ 85, haverá incremento nas arrecadações com royalties e leilões de participações, cujos efeitos, segundo ele, “não são pequenos”.
O secretário acrescentou que o país tem sido beneficiado pelo fluxo internacional de capitais. Para ele, o Brasil e a América Latina são vistos como regiões estáveis. “Não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar a sua alocação de portfólio”, afirmou. “Num cenário como esse, obviamente dentro de limites, de riscos, o Brasil está bem posicionado e ele é, provavelmente, tudo mais constante, ele é um ganhador nesse processo.”