Uma pesquisa recente apontou que a Placa Indiana, antes considerada uma estrutura única deslizando sob o Tibete, está na verdade se fragmentando em blocos. O fenômeno, de acordo com os especialistas, amplia a possibilidade de terremotos mais severos e frequentes na região do Himalaia.

Foto: Zelvan/Shutterstock.com
A colisão entre a Placa Indiana e a Placa Eurasiática, iniciada há aproximadamente 60 milhões de anos, foi a responsável pela formação da cordilheira do Himalaia e continua moldando o relevo até os dias atuais.
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Até pouco tempo, acreditava-se que o movimento ocorria de forma uniforme. No entanto, dados sísmicos recentes indicam que a placa está se rompendo em partes: a camada superior, mais leve, permanece próxima da superfície, enquanto a inferior, mais densa, está afundando em direção ao manto terrestre.
Descobertas do estudo
O trabalho foi conduzido pelo geofísico Lin Liu, da Universidade Oceânica da China, que analisou informações captadas por 94 estações sísmicas instaladas no sul do Tibete. Esses equipamentos registram vibrações geradas por tremores distantes, conhecidas como ondas sísmicas, permitindo a elaboração de um modelo tridimensional da estrutura subterrânea.
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“Essa revelação rompe com antigas concepções sobre a dinâmica da Placa Indiana”, declarou Liu durante a divulgação dos resultados, em abril deste ano.
Os dados mostraram que, em algumas áreas, a placa permanece intacta, mas em outras sofre rupturas, criando espaços preenchidos por rochas parcialmente derretidas vindas do manto.
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Risco para a região
Esse processo de delaminação aumenta a pressão sobre a crosta terrestre, elevando a probabilidade de terremotos mais fortes no Tibete e no Himalaia. A falha geológica Rift Cona-Sangri é apontada como uma das zonas críticas, por estar situada exatamente acima de uma das áreas onde ocorreram as rupturas.
Além disso, registros de tremores e a detecção de gases raros, como o hélio-3 em nascentes locais, reforçam que mudanças significativas estão em andamento. Com milhões de pessoas vivendo próximas à cordilheira, especialistas defendem que compreender melhor esse processo pode ajudar a aperfeiçoar os sistemas de previsão sísmica.
“Com uma visão mais detalhada da interação entre as placas, conseguimos estimar futuros eventos sísmicos com maior precisão”, destacou a equipe liderada por Liu.
Avanços metodológicos
Estudar o subsolo tibetano é um desafio devido à complexidade geológica e à profundidade das formações. Métodos tradicionais muitas vezes produziam resultados divergentes, chegando a apontar diferenças de até 48 quilômetros na localização da Placa Indiana.
Para superar esse obstáculo, os pesquisadores utilizaram a técnica de divisão de ondas de cisalhamento, que avalia como as ondas sísmicas se propagam sob tensões tectônicas. Combinada à análise das ondas P e S, a abordagem forneceu uma imagem mais nítida da estrutura subterrânea.
Na área conhecida como Sintaxe Oriental do Himalaia, onde a cordilheira se curva de forma acentuada, os registros mostraram padrões circulares nas ondas sísmicas. Esse comportamento sugere que o manto flui ao redor da zona de colisão, confirmando que a Placa Indiana se deforma e se rompe de maneira irregular.