SAÚDE

EUA alteram diretrizes e deixam de recomendar quatro vacinas infantis, incluindo a da gripe

De acordo com as novas diretrizes, deixam de ser universalmente recomendadas as vacinas contra rotavírus, gripe, doença meningocócica e hepatite A


O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta segunda-feira, a atualização do calendário nacional de vacinação infantil, retirando a recomendação ampla para quatro imunizantes, entre eles o da gripe. A mudança foi aprovada pelo diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Jim O’Neill, segundo informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS).

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De acordo com as novas diretrizes, deixam de ser universalmente recomendadas as vacinas contra rotavírus, gripe, doença meningocócica e hepatite A. A orientação agora é que pais e responsáveis discutam a imunização com profissionais de saúde, dentro do que o governo define como “tomada de decisão clínica compartilhada”.

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A decisão ocorre cerca de um mês após o presidente Donald Trump defender a redução do número de vacinas no calendário infantil, argumentando que os Estados Unidos deveriam se alinhar a práticas adotadas por outras nações desenvolvidas. A medida também atende a um objetivo de longo prazo do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.

O processo adotado para a mudança não seguiu o rito tradicional do CDC, que normalmente envolve a análise de um painel externo de especialistas para avaliar o impacto das vacinas na saúde pública. Ainda assim, o HHS informou que o relatório que embasou a decisão contou com a participação de técnicos do CDC, da Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA), dos Institutos Nacionais de Saúde e dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid.

O estudo foi conduzido por dois altos funcionários do HHS: Martin Kulldorf, diretor de ciência e dados da pasta e ex-integrante do Comitê Consultivo de Práticas de Imunização, e Tracy Beth Hoeg, diretora interina do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da FDA e membro ex officio do painel consultivo de vacinas do CDC. Eles analisaram os protocolos de imunização de 20 países desenvolvidos, todos com sistemas de saúde universais.

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Segundo o relatório, os programas desses países indicam que a vacina contra a gripe é recomendada de forma universal em apenas quatro deles, enquanto a vacina contra a hepatite A tem recomendação ampla apenas na Grécia. Já a imunização contra o rotavírus é indicada para todas as crianças em 17 países, e as vacinas contra a doença meningocócica, em 16.

O presidente da Academia Americana de Pediatria, Dr. Sean O’Leary, criticou o uso dessas comparações internacionais como base para mudanças no calendário dos EUA.

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“Qualquer decisão sobre o calendário de vacinação infantil dos EUA deve se basear em evidências, transparência e processos científicos estabelecidos, e não em comparações que ignoram as diferenças críticas entre países ou sistemas de saúde”, afirmou. Ele destacou que outros países enfrentam riscos distintos e contam, em sua maioria, com sistemas públicos universais, enquanto os Estados Unidos dependem amplamente do setor privado.

Apesar das alterações, o HHS informou que permanecem recomendadas as vacinas contra 11 doenças, incluindo sarampo, caxumba e varicela. Outras passam a ser direcionadas a grupos de maior risco ou enquadradas na categoria de decisão compartilhada. A pasta também confirmou que os planos de saúde continuarão cobrindo os custos das imunizações, independentemente da classificação.

Entre as mudanças adicionais anunciadas, o CDC passou a recomendar apenas uma dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), substituindo o esquema anterior de duas aplicações.