O encerramento do Tratado Novo START deixou, pela primeira vez em mais de 50 anos, as duas maiores potências nucleares do planeta sem limites juridicamente obrigatórios para seus arsenais estratégicos. O acordo, que expirou à meia-noite de quarta-feira (4), estabelecia tetos para ogivas nucleares estratégicas, além de restringir a quantidade de mísseis e bombardeiros terrestres e submarinos aptos a transportá-las.

Foto: Andrew Harnik/Getty Images
Diante desse cenário, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, classificou a situação como um ponto crítico para a segurança global. Em comunicado, ele destacou que a ausência de restrições formais sobre os arsenais de Estados Unidos e Rússia — países que concentram a maior parte das armas nucleares do mundo — amplia os riscos internacionais.
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“Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos da Federação Russa e dos Estados Unidos da América — os dois Estados que detêm a esmagadora maioria do estoque global de armas nucleares”, declarou Guterres.
O líder da ONU afirmou ainda que a perda gradual dos mecanismos de controle nuclear ocorre em um momento especialmente delicado. Segundo ele, “a dissolução de décadas de conquistas no controle de armas não poderia ocorrer em pior momento — o risco de uma arma nuclear ser usada é o mais alto em décadas”.
Apesar do alerta, Guterres apontou que o contexto também pode abrir caminho para a construção de um novo modelo de controle de armamentos. Ele avaliou que há espaço para “redefinir e criar um regime de controle de armas adequado a um contexto em rápida evolução” e reconheceu positivamente o fato de lideranças russas e americanas admitirem a necessidade de evitar uma nova corrida nuclear.
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Ao final, o secretário-geral fez um apelo direto às duas nações. “O mundo agora espera que a Federação Russa e os Estados Unidos transformem palavras em ações”, afirmou. Ele concluiu com um chamado às negociações: “Exorto ambos os Estados a retornarem à mesa de negociações sem demora e a concordarem com uma estrutura sucessora que restabeleça limites verificáveis, reduza os riscos e fortaleça nossa segurança comum.”