MUNDO

Irã ameaça atacar bases americanas no Oriente Médio caso seja bombardeado

Segundo depoimento de autoridade anônima à Reuters, o aviso foi repassado a governos como os da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e da Turquia


O governo do Irã voltou a elevar o tom contra os Estados Unidos e afirmou que responderá militarmente caso seja alvo de um ataque aéreo. Segundo um oficial iraniano de alto escalão ouvido pela agência Reuters, Teerã já comunicou países do Oriente Médio sobre a possibilidade de ofensivas contra bases norte-americanas instaladas na região, caso Washington realize bombardeios em território iraniano.

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De acordo com a autoridade, que falou sob condição de anonimato, o aviso foi repassado a governos como os da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia. “Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos EUA nesses países serão atacadas” se os norte-americanos atingirem o Irã, declarou o oficial à Reuters.

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Ainda conforme o relato, o governo iraniano também solicitou a aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio que atuem para impedir uma ação militar contra o país. Embora Teerã já tenha declarado anteriormente que reagiria a qualquer agressão, esta foi a primeira vez que um representante detalhou o alcance da retaliação em potencial.

Diante do risco de escalada, membros da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, foram orientados a deixar a instalação até a noite desta quarta-feira, segundo três diplomatas ouvidos pela Reuters. Os Estados Unidos mantêm cerca de 40 mil militares distribuídos em diversas bases no Oriente Médio. Al Udeid é a maior delas, com aproximadamente 10 mil soldados, e já foi alvo de ataques em junho de 2025, ao fim da guerra de 12 dias entre Israel e Irã, após bombardeios norte-americanos contra instalações nucleares iranianas.

A tensão internacional se soma ao agravamento da crise interna no Irã, marcada por protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei e pela repressão das forças de segurança. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado intervir militarmente, citando as mortes ocorridas durante as manifestações, e chegou a afirmar que a ajuda aos manifestantes estaria a caminho. Em resposta, o governo iraniano acusou Washington, em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), de tentar criar um pretexto para promover uma mudança de regime.

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Organizações não governamentais de direitos humanos estimam que o número de mortos nos protestos já ultrapassa 2.500. Um oficial iraniano afirmou ao jornal The New York Times que ao menos três mil pessoas teriam sido mortas. A apuração, no entanto, enfrenta dificuldades devido ao bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas. Relatos reunidos por ONGs, agências de notícias e veículos internacionais descrevem episódios de violência extrema, incluindo denúncias de massacres e execuções extrajudiciais.

Nesse contexto, uma ONG informou que um manifestante deverá ser executado nesta quarta-feira. Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso no início da semana durante um protesto. Especialistas avaliam que a rapidez no cumprimento da sentença pode ser utilizada como um recado do regime aos manifestantes. O governo iraniano anunciou que acelerará o processamento dos detidos, cujo número, segundo organizações de direitos humanos, já supera 10 mil, o que amplia o temor de novas execuções nos próximos dias.

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