SAÚDE

Pesquisa identifica ligação entre intestino, fígado e coração no controle da obesidade e do diabetes

Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos que atuem no metabolismo hepático e na sensibilidade à insulina


Um estudo desenvolvido na Universidade Harvard, com apoio da FAPESP, revelou que metabólitos produzidos no intestino são transportados para o fígado e, em seguida, enviados ao coração, que os distribui para o restante do corpo. Esses compostos, derivados do microbioma intestinal, exercem papel essencial na regulação do metabolismo hepático e na sensibilidade à insulina, fatores diretamente ligados à obesidade e ao diabete tipo 2. Os resultados foram publicados na revista Cell Metabolism.

Imagem gerada por IA

De acordo com o pesquisador Vitor Rosetto Muñoz, primeiro autor do trabalho, o fígado atua como o primeiro destino dos produtos do intestino. “A veia porta hepática recebe grande parte do sangue intestinal, carregando os metabólitos que podem ser transformados, conjugados ou eliminados antes de entrarem na circulação geral”, explicou. O estudo, realizado durante o estágio de Muñoz no Joslin Diabete Center, da Escola de Medicina de Harvard, analisou amostras de sangue coletadas tanto da veia porta quanto da circulação periférica, permitindo identificar com mais precisão o papel desses metabólitos na saúde metabólica.

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Os pesquisadores constataram que camundongos saudáveis apresentavam 111 metabólitos enriquecidos na veia porta e 74 no sangue periférico. Porém, em animais suscetíveis à obesidade e ao diabete tipo 2, alimentados com dieta rica em gorduras, o número caiu para 48 metabólitos, indicando que fatores ambientais influenciam diretamente esse equilíbrio. Além disso, diferenças genéticas também se mostraram determinantes na forma como o microbioma intestinal regula a produção dessas substâncias.

Ao tratar camundongos com antibióticos que alteram a flora intestinal, os cientistas observaram mudanças tanto na composição do microbioma quanto nas proporções de metabólitos. Um deles, o mesaconato, ligado ao ciclo de Krebs — processo essencial de geração de energia celular —, teve destaque. Quando aplicado em células do fígado, o composto melhorou a resposta à insulina e regulou genes associados à queima de gordura e ao acúmulo lipídico, sugerindo potencial terapêutico.

Segundo Muñoz, compreender essas interações complexas entre microbioma, fígado e metabolismo pode abrir novas possibilidades para o tratamento de doenças metabólicas. “Os metabólitos identificados desempenham papéis fundamentais na resistência à insulina e na regulação energética do organismo. Nosso próximo passo é caracterizar cada um deles para entender como podem ser usados futuramente em terapias voltadas à obesidade e ao diabete tipo 2”, concluiu o pesquisador.

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