Um grupo de cientistas da Universidade de Waterloo, no Canadá, anunciou o desenvolvimento de uma bactéria geneticamente modificada com potencial para auxiliar no tratamento do câncer. A proposta consiste em utilizar o microrganismo para atacar tumores diretamente a partir do interior, explorando características específicas do ambiente onde essas estruturas se desenvolvem.

Foto: demaerre / iStock
A pesquisa teve origem na observação de que tumores sólidos costumam crescer em regiões com baixos níveis de oxigênio. Esse tipo de ambiente, conhecido como hipóxico, é considerado ideal para a sobrevivência da bactéria Clostridium sporogenes, um microrganismo encontrado naturalmente no solo.
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No entanto, os pesquisadores identificaram um desafio importante: embora o centro dos tumores apresente pouca oxigenação, suas bordas externas possuem pequenas quantidades de oxigênio, o que dificulta a permanência e a ação das bactérias naturais nesse local.
Para contornar essa limitação, a equipe científica promoveu modificações genéticas na Clostridium sporogenes, com o objetivo de aumentar a resistência do microrganismo ao oxigênio presente nas áreas periféricas dos tumores. Dessa forma, a bactéria teria maior capacidade de sobreviver e atuar dentro dessas estruturas.
Além da adaptação genética, os pesquisadores também incorporaram ao microrganismo um mecanismo descrito como um “interruptor inteligente”. Esse sistema permite que a bactéria seja ativada somente quando já estiver instalada dentro do tumor e em quantidade suficiente para iniciar a ação contra as células cancerígenas.
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Os primeiros experimentos foram realizados em laboratório e apresentaram resultados considerados promissores pelos cientistas. A próxima etapa da pesquisa prevê testes em modelos pré-clínicos, que devem avaliar a eficácia e a segurança da estratégia antes de qualquer aplicação futura em tratamentos contra o câncer.