Em entrevista à CNN Brasil, o governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, conversou sobre o seu futuro governo e possíveis alianças. Porém, o que chamou a atenção na entrevista foi o seu comentário sobre ser um adepto dos ideais do atual presidente Bolsonaro. De acordo com Tarcísio, nunca foi um “bolsonarista raiz” e não pretende entrar em guerra ideológica durante o seu governo.

Foto: G1 Fábio Tito
“Eu nunca fui bolsonarista raiz. Comungo das ideias econômicas, principalmente desse governo Bolsonaro. A valorização da livre iniciativa, os estímulos ao empreendedorismo, a busca do capital privado, a visão liberal. Sou cristão, contra aborto, contra liberação de drogas, mas não vou entrar em guerra ideológica e cultural”, afirmou à rede de TV.
Tarcísio recomendou uma atitude mais forte do presidente Bolsonaro na condução da oposição da direita do país. “Tenho muita gratidão pelo presidente e temos conversado quando vou a Brasília. Tenho falado muito da necessidade de ele sair do casulo, de se posicionar como liderança de centro-direita, de atuar na sucessão da mesa e fazer uma oposição responsável e ser voz crítica, por exemplo, da maneira como a PEC [do Estouro] foi apresentada.” Finalizou.
Tarcísio defendeu a pacificação do país, porém não concorda com as críticas recebidas pelos “bolsonaristas”, que o acusam de estar “pulando fora do barco”. As recentes críticas dos apoiadores do atual presidente da República, foram desde uma postagem homenageando o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, falecido no último dia 15 de novembro, e o episódio de um jantar onde o governador eleito de São Paulo, ter sentado ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso que, segundo Tarcísio, é “preparadíssimo e razoável”.
“O Brasil está muito tenso e dividido. Precisa pacificar. Outro dia morreu o (ex-governador) Fleury. Eu posto lá uma mensagem nas redes sociais para confortar a família. Trata-se de um ex-governador do estado que eu vou governar. E recebo críticas […] depois, tinha um evento em que teve um jantar com ministros do STF, STJ, TSE, TCU. Na divisão das mesas, me botaram ao lado do ministro Barroso. Queriam que eu me levantasse e saísse? Sou governador eleito de São Paulo. Vou conversar com ministros do STF”, Declarou Tarcísio.
O governador eleito completou suas críticas prometendo não cometer os mesmos erros do governo federal. “Não vou fazer o que erramos no governo federal de tensionar com Poderes. Vamos conversar com ministros do STF. E Barroso é um ministro preparadíssimo, razoável. Sempre que eu, na condição de ministro [da Infraestrutura], precisei dele, ele ajudou o ministério. Sempre votou a favor das nossas demandas. Mas ‘os caras’ me esculhambaram”, afirmou.
“É só ver o que foi minha atuação no ministério [da Infraestrutura]. Será do mesmo jeito. Uma atuação técnica. Eu quero dar resultado. Vou me engajar nessa questão do resultado. E será como fui ao ministério. Não me envolvi em polêmica. Não entrava na questão ideológica. Eu quero que São Paulo cresça. Que na educação haja resultados para jovens e crianças. Melhorar o Ideb. Que os jovens possam ter ensino técnico profissionalizante. Eu não vou estar imerso em guerra ideológica. Meu foco é atrair emprego, concluir projetos de infraestrutura.”
Sobre a composição de sua equipe de governo, Tarcísio gostara muito de que o atual ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, aceite o convite de ser o “secretário da Fazenda” do governo paulista. Porém, Gomes afirmou que existe a tendência de que Samuel Kinoshita, ex-assessor de Guedes, seja o secretário.
“Para mim seria um luxo [ter Paulo Guedes como secretário de Fazenda]. Seria ótimo. O Brasil está crescendo e criando empregos. Estamos deixando o país com 74% de relação dívida/PIB. Mas acho muito difícil ele aceitar. Daí o secretário será o Samuel Kinoshita, que era da equipe do Guedes, coordenou o plano econômico e conduz a área de economia da transição.”
Sobre a política de privatizações, o governador eleito estimar que a Sabesp valha cerca de R$ 60 bilhões e que ele indicará para ser seu secretário alguém ligado ao mercado financeiro, sinalizando que a privatização deverá avançar. Conforme, Gomes, André Salcedo, ex-diretor de Fomento e Desenvolvimento da Infraestrutura no Ministério da Infraestrutura, deve ser o presidente da estatal. Segundo Tarcísio, a privatização da empresa deve acontecer em dois anos, por um modelo que estabeleça também aos municípios do estado obterem recursos.
“Vamos começar a discutir imediatamente. Se olharmos em uma primeira olhada, é possível dizer que ela pode valer R$ 60 bilhões, mas pode ser mais. Deve demorar uns dois anos para sair. O mais difícil, que foi listá-la na Bolsa, já foi feito. Agora é tocar o processo.” […] “Vamos pensar em alguma fórmula semelhante à da cessão onerosa, feita em Brasília, que os municípios possam ganhar também, que haja ganhos financeiros para eles em um modelo de divisão de bônus. Vou por na Sabesp caras de mercado que vão sinalizar como seguir. Deve ser o André Salcedo o presidente.” Declarou.
O Governador eleito de São Paulo, finalizou a entrevista definindo como será a condução de seu governo, a partir de 2023. “Minha definição de sucesso de governo é diminuir drasticamente o número de pessoas morando nas ruas, drasticamente as que esperam para realizar cirurgias eletivas, aumentar obras do metrô, fazer o trem intracidades, a travessia seca entre Santos e Guarujá, trazer empresas. É por aí”, finalizou.