Em uma transmissão ao vivo pela internet na madrugada dessa quinta-feira (2), o senador Marcos do Val (Podemos), afirmou ter sido coagido pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) a realizar um “golpe de estado”. Marcos também anunciou sua saída da vida política em conversa com o ex-deputado cassado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (AleSP) Arthur do Val e do líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos.

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Durante a “live”, o parlamentar não deu detalhes sobre a suposta coação do ex-presidente, porém disse que a denúncia será publicada na revista Veja na próxima sexta-feira (3).
“Eu ficava p*** quando me chamavam de bolsonarista e vocês esperem, eu vou soltar uma bomba aqui para vocês: sexta-feira, vai sair na Veja a tentativa do Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de Estado com ele. É lógico que denunciei. Lógico que denunciei”, declarou do Val.
Porém, em entrevista nessa quinta-feira (2) a uma rede de TV, Marcos afirmou que o ex-deputado federal Daniel Silveira (PDT), (preso pela PF nessa quinta-feira, 2, por determinação do STF), o levou a reunião com o ex-presidente Bolsonaro para tratar sobre um possível golpe de Estado.
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Segundo o senador do estado do Espírito Santo, Daniel Silveira o teria procurado para um encontro com Bolsonaro. Eles teriam utilizado um veículo não oficial para chegar à Granja do Torto, onde se reuniram com o então presidente.
O senador também confirmou que avisou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre o plano. Conforme o parlamentar, a ideia de Silveira, apresentada na reunião a Marcos e Bolsonaro, incluía gravar Moraes em busca de declarações comprometedoras do ministro. Marcos ainda afirmou que não foi coagido por Bolsonaro e que o ex-presidente teria ficado calado durante a reunião com Silveira.
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“Não aceitei. Isso [grampear alguém] é ilegal. Você precisa ter autorização de um juiz”, declarou Marcos. Ao sair do encontro, Do Val decidiu procurar Moraes para falar sobre o plano. Dias depois, no salão branco do STF, o senador alertou o magistrado que, segundo ele, teria ficado surpreso com o conteúdo da reunião.
Mudando a versão que anteriormente havia afirmado na “transmissão ao vivo” com o MBL, Do Val disse que Silveira tentou manipular Bolsonaro para que, com a participação do senador, o golpe de Estado pudesse ser concretizado. “O que ficou claro era o Silveira tentando achar uma nova forma de não ser preso novamente, já que ele descumpria todas as decisões de Moraes”, completou Do Val.

Ainda na transmissão pela internet, o senador disse que estaria saindo da política após se envolver em discussões com políticos e grupos de direita durante a votação para a escolha do presidente do senado na tarde do dia anterior. Mesmo declarando voto ao senador Rogério Marinho, o parlamentar foi hostilizado pelos pares devido à postura amigável frente a chapa vencedora no pleito.
Marcos do Val, que se destacava na Casa, cumprimentou e abraçou Pacheco (PSD) e seu aliado Davi Alcolumbre (União Brasil) pela vitória. Parlamentares como o deputado federal Carlos Jordy (PL) e integrantes do MBL questionaram Do val pelo gesto.
Apesar da declaração anterior de sair da vida pública, Marcos do val disse em sua rede social que a afirmação foi apenas um “desabafo” diante dos acontecimentos. “Se fosse no horário de trabalho eu tinha saído, mas minha equipe e meus colegas me abordaram para falar para eu não sair”, concluiu.
Marcos também disse que a possibilidade de sua suplente assumir o cargo no lugar dele é “zero”, pois não deixaria que todo seu trabalho fosse destruído nos próximos anos. “Então a decisão não foi tomada ainda, se eu permaneço com meus colegas de trabalho”, declarou o senador.
E na tarde dessa quinta (2) a Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido para tomar o depoimento do senador Marcos do Val, após suas afirmações ainda na madrugada desta quinta sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.