POLÍCIA

PF apura possível ligação entre crime organizado e bebidas adulteradas com metanol

Três mortes já foram confirmadas em São Paulo; investigações buscam identificar origem e rede de distribuição das bebidas


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira (30) que a Polícia Federal abriu inquérito para investigar bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Segundo ele, há sinais de que a distribuição do produto pode não estar restrita apenas ao estado de São Paulo. Até o momento, três mortes foram confirmadas em decorrência da intoxicação.

Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Casos registrados em SP

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De acordo com o Ministério da Saúde, seis ocorrências já foram confirmadas na capital paulista. Outros dez casos estão em análise em diferentes municípios. Há suspeitas adicionais em São Bernardo do Campo, Limeira, Itapecerica da Serra e em uma cidade não identificada, cujo paciente está internado em Campinas. Um caso foi descartado.

As vítimas fatais são três homens, de 38, 45 e 48 anos. Os produtos consumidos incluem diferentes bebidas, como gim, uísque e vodca, adquiridos em bares e adegas.

Investigações federais

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Lewandowski afirmou que a apuração busca identificar a procedência do metanol e mapear possíveis rotas de distribuição.“Tudo leva a crer que a circulação dessas bebidas não se limita a São Paulo”, disse o ministro em coletiva.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ressaltou que o inquérito vai esclarecer se há envolvimento de organizações criminosas. O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, negou a participação do PCC nos casos, mas anunciou interdições cautelares em estabelecimentos suspeitos.

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Ações de saúde e consumo

A Secretaria Nacional do Consumidor também instaurou processo administrativo para apurar responsabilidades. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que será publicada uma nota técnica para orientar profissionais de saúde na identificação de sintomas relacionados à intoxicação por metanol.

“O aumento de notificações é atípico. Em média, o país registra cerca de 20 casos por ano, mas apenas em setembro já tivemos quase metade desse número”, destacou Padilha.

O risco do metanol

O metanol é uma substância tóxica e inflamável, usada em produtos como solventes, anticongelantes e removedores de tinta. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode causar náuseas, vômitos, dores de cabeça, visão turva, convulsões, cegueira irreversível, danos neurológicos, coma e até a morte.