A série “Os Donos do Jogo”, nova aposta da Netflix Brasil, chega com um enredo instigante, fotografia de alto padrão e um ritmo que prende o espectador desde os primeiros minutos. A trama mergulha nos bastidores do poder, do crime e da política, mostrando como os interesses escusos e a ambição moldam as engrenagens do país — um reflexo direto da nossa realidade.

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O roteiro, assinado por Barcellos, Mariana Torres, Luciana Pessanha, Rafael Spínola e Rosana Rodini, conduz o público por um labirinto de traições, estratégias e dilemas morais, revelando uma narrativa que sabe equilibrar ação e crítica social.
Mas se o texto é consistente, o mesmo não se pode dizer de todas as interpretações. O rapper Xamã, escalado para viver Búfalo — um personagem de grande importância simbólica e emocional —, não consegue sustentar o peso dramático exigido pelo papel. Faltam nuances, densidade e verdade nos momentos-chave. Sua atuação, excessivamente rígida e por vezes caricatural, compromete a força de cenas que deveriam causar impacto.
Em contrapartida, Chico Diaz entrega uma performance magistral. Sua presença em cena impõe respeito e magnetismo. Cada gesto e olhar carrega a experiência de quem domina o ofício e entende o tempo exato de cada emoção. Ao lado dele, os atores que compõem a cúpula — um elenco de veteranos e revelações — sustentam com vigor a tensão dramática e dão credibilidade ao universo da série. O jogo de poder entre eles é, de longe, o ponto mais alto da produção.
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“Os Donos do Jogo” acerta em quase tudo: direção segura, trilha sonora envolvente e um roteiro que, se mantiver o ritmo, pode firmar a série como uma das produções brasileiras mais relevantes do ano. O que falta é coerência no elenco — especialmente quando um papel central como o de Búfalo não alcança a força que o roteiro sugere. Em um tabuleiro de atores talentosos, Xamã parece ainda não ter entendido as regras do jogo.
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