ECONOMIA

Bancos passam a monitorar Pix nesta segunda (02) para ampliar combate a fraudes

MED 2.0 passa a permitir rastreamento de valores por várias contas e devolução pode ocorrer em até 11 dias após contestação


A partir desta segunda-feira (2), todas as instituições financeiras que operam o Pix passam a seguir as regras do MED 2.0, versão ampliada do Mecanismo Especial de Devolução criado pelo Banco Central para lidar com fraudes, golpes e situações de coerção. A atualização torna possível acompanhar o trajeto do dinheiro transferido e compartilhar dados entre os bancos envolvidos na operação.

Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Com o novo modelo, os recursos podem ser bloqueados não apenas na primeira conta que os recebeu, mas também em contas intermediárias para as quais o valor tenha sido transferido. Após a contestação do cliente e a análise das instituições, a devolução à vítima pode ocorrer em até 11 dias.

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Segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), por determinação regulatória, todos os participantes do sistema Pix devem cumprir as normas do MED 2.0. O Banco Central destaca que o mecanismo amplia a capacidade de resposta das instituições financeiras diante de crimes envolvendo transferências instantâneas.

Antes da atualização, quando um cliente comunicava uma fraude pelo aplicativo do banco, o bloqueio alcançava apenas a conta que recebeu inicialmente o valor. Como golpistas costumam movimentar rapidamente os recursos para outras contas, muitas vezes não havia saldo disponível quando a reclamação era registrada, o que dificultava o ressarcimento.

Agora, ao identificar uma transação suspeita, o usuário pode acionar o botão de contestação diretamente no aplicativo do banco, sem necessidade de falar com atendentes. A comunicação é enviada à instituição que recebeu o dinheiro, que deve providenciar o bloqueio dos valores. Em seguida, os bancos envolvidos têm até sete dias para analisar o caso. Confirmada a irregularidade, o dinheiro é devolvido à conta da vítima dentro do prazo máximo de 11 dias.

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O MED não é válido para desacordos comerciais, arrependimento ou erros de digitação de chave Pix. O Banco Central informa ainda que a exigência de documentos ocorre somente após a abertura do mecanismo, quando o cliente pode anexar boletim de ocorrência, comprovantes e capturas de tela para auxiliar na análise.

A contestação pode ser feita de duas formas principais: pela área Pix do aplicativo, em espaço de autoatendimento específico para o MED, ou diretamente pelo extrato da conta, selecionando a transação a ser questionada. Também permanece a opção de contato com a instituição por chat, telefone ou e-mail.

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Dados do Banco Central mostram que, nos últimos quatro anos, o Pix já registrou mais de R$ 1,5 bilhão em devoluções relacionadas a fraudes, golpes, erros ou coerção. Em 2024, foram restituídos R$ 561,5 milhões. Em 2025, considerando apenas os primeiros sete meses do ano, o valor chega a R$ 377,4 milhões, sem incluir devoluções parciais.

O histórico anual de valores devolvidos registra R$ 3,9 milhões em 2021 (novembro e dezembro), R$ 191,1 milhões em 2022, R$ 389,1 milhões em 2023, R$ 561,5 milhões em 2024 e R$ 377,4 milhões em 2025 até julho. Com o MED 2.0, a expectativa é aumentar a efetividade no bloqueio de recursos e no ressarcimento às vítimas.