O percentual de adultos endividados no Amazonas chegou a 60,10% em março de 2026, segundo dados do Mapa da Inadimplência da Serasa. O índice é o mais alto registrado desde novembro de 2021, período marcado pelos impactos da pandemia de covid-19.

Foto – Arquivo/Semcom
A elevação ocorreu após anos de estabilidade na faixa dos 50%. Em 2025, o índice saiu de 53,88% para 58,25%, até atingir o patamar atual. O avanço acompanha um cenário nacional em que cerca de 88 milhões de brasileiros enfrentam dívidas.
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No mesmo contexto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na segunda-feira (4), o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de débitos. A iniciativa prevê descontos que podem chegar a 90% e condições facilitadas para pagamento, com foco em consumidores de menor renda.
A economista Denise Kassama aponta fatores estruturais que contribuem para o aumento do endividamento no estado. “O Amazonas tem muita desigualdade de renda. Você tem a população do interior com uma renda baixíssima, tudo é muito caro, com um custo logístico alto, então o endividamento acaba sendo muito maior”, avalia.
Segundo ela, medidas como o Desenrola podem ajudar a manter a atividade econômica. “A ideia é que você não só quite as suas dívidas, mas que as parcelas estejam na capacidade de pagamento das pessoas. A grande causa da inadimplência é porque as pessoas não têm condições de quitar os parcelamentos, então você tendo isso de forma mais organizada consegue organizar também o orçamento doméstico e até ter uma sobrinha para investir, fazer uma poupança ou consumir”, explica.
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O programa permite renegociar dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. Estão incluídos débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. As condições incluem juros de até 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e início de pagamento em até 35 dias.
Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). O limite de renegociação é de até R$ 15 mil por instituição financeira, já considerando os descontos, com garantia do Fundo Garantidor de Operações.
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O programa também prevê a possibilidade de uso de até 20% do saldo do FGTS — limitado a R$ 1 mil, o que for maior — para quitação à vista. Além disso, há a previsão de restrição temporária, por 12 meses, para participação em apostas online por parte dos beneficiários, como forma de evitar o agravamento da situação financeira.
Durante o lançamento, Lula destacou a necessidade de equilíbrio nas finanças pessoais. “Nós queremos que, a partir de agora, vocês e o governo tratem de cuidar dessa dívida com muito carinho para que vocês possam continuar consumindo, comprando o que quiser, mas que também adquiram consciência de que a dívida tem que ser feita do tamanho dos passos que a nossa perna pode dar”, afirmou.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhará o funcionamento do programa em entrevista nesta terça-feira, incluindo as frentes voltadas a famílias, estudantes do Fies, produtores rurais e empresas. A proposta também contempla medidas para ampliar o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas, com expectativa de beneficiar mais de 2 milhões de negócios por meio de melhorias em linhas como ProCred e Pronampe.
Para aderir ao programa, os interessados devem procurar os canais oficiais das instituições financeiras participantes, onde serão apresentadas as condições de renegociação de acordo com o perfil de cada consumidor.