Opinião
Mauricio Farias

ARTIGO

Por que só agora os formadores de opinião estão observando o conteúdo exposto aos nossos jovens?

Como ignorar a questão de que “conteúdos nocivos” já eram expostos para os jovens brasileiros por meio de outros veículos de comunicação?


As chamadas “novelas das frutas”, animações produzidas com uso de inteligência artificial, se tornaram um fenômeno nas redes sociais no início de 2026. Vídeos curtos com personagens como Abacatudo e Moranguete viralizaram em plataformas digitais ao misturar estética infantil com enredos dramáticos, acumulando milhões de visualizações.

Imagem: IA

A animação alcançou o sucesso nas redes sociais por meio de um formato ligado a uma estrutura dinâmica, com histórias rápidas, trazendo críticas e reflexões de comportamentos e dilemas atuais da sociedade com sarcasmo e naturalidade dos personagens, diante de temas como traições, separações, violência e até assédio moral e sexual. Apesar da exposição desses temas delicados, esse modelo (com a ajuda de elementos considerados inofensivos ou pouco ameaçadores) favorece o engajamento e amplia o alcance das publicações, considerado altamente eficiente para performar nos algoritmos dessas redes sociais.

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Apesar da popularidade, especialistas alertam para os riscos, principalmente para crianças e adolescentes. A ausência de classificação indicativa desse tipo de conteúdo permite a esse nicho de público o acesso a essas questões.

Alguns analistas afirmam que o consumo frequente desse tipo de conteúdo pode levar à normalização de comportamentos prejudiciais, além de dificultar a distinção entre ficção e realidade.

Contudo, o que chama a atenção é por que somente agora é levantada a questão da proteção de crianças e adolescentes? Apesar de que, em plena era da conectividade digital, todo o tipo de público tem acesso e visibilidade a uma variedade maior de assuntos e temas que podem edificar e auxiliar no desenvolvimento dos três pilares básicos de um ser humano, os quais são: o físico, o mental e o espiritual, mas que também pode trazer o contrário dessas colunas.

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Como ignorar a questão de que esse tipo de conteúdo já era exposto para os jovens brasileiros por meio de outros veículos de comunicação, como, por exemplo, a televisão? Seriados animados, como South Park, Fudêncio veiculados na extinta MTV Brasil, ou da Família da Pesada veiculados na TV Globo. Todos esses seriados animados eram ou ainda estão sendo expostos na TV aberta do Brasil.

Recentemente foi aprovada no Congresso Nacional a Lei nº 15.211/2025 ou ECA Digital (conhecida também por Lei Felca), a qual é um marco legal que entrou em vigor em março de 2026 para proteger menores de 18 anos na internet. Ela exige verificação de idade rígida, controle parental para menores de 16 anos e proíbe publicidade comportamental e “loot boxes” para crianças e adolescentes, focando no combate à adultização.

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Entretanto, alguns críticos da nova lei relatam que a nova legislação pode ser vista como um instrumento de controle excessivo que ameaça a privacidade universal e a diversidade do ecossistema digital sob o pretexto da segurança.

A finalidade desse artigo não é apenas defender a liberação de conteúdos impróprios ou fora de contexto para o público jovem nas redes sociais, mas uma observação para analisar todo o tipo de mídia vigorando no Brasil, pois as animações de IA na internet são reflexos de outros conteúdos expostos para o público em geral, como as “novelas” e filmes           que são apresentados com o pretexto de que “a arte imita a vida”, mas realmente, devemos acreditar que a maioria do povo brasileiro não tem moralidade? Pais, a responsabilidade é de vocês.