O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar já registrado, voltou a surpreender astrônomos ao apresentar mudanças de cor, aceleração não gravitacional e perda de massa após sua recente aproximação do Sol. Detectado em julho pelos telescópios do sistema ATLAS, o corpo celeste atravessa o Sistema Solar em alta velocidade, seguindo uma trajetória que o levará de volta ao espaço interestelar.

Imagem: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/K. Meech (IfA/U. Hawaii)
Durante o periélio, ponto mais próximo do Sol, o aquecimento intenso provocou a sublimação de gelo e liberação de gases, levando o cometa a perder cerca de 13% de sua massa. Esse processo gerou uma aceleração fora do padrão gravitacional. Segundo o astrofísico Avi Loeb, de Harvard, o 3I/ATLAS apresentou acelerações radial e transversal compatíveis com o impulso causado pela ejeção de gases, fenômeno confirmado por observações do observatório ALMA.
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Além da variação de velocidade, o 3I/ATLAS chamou atenção pelas mudanças de coloração. Inicialmente avermelhado, o cometa passou a exibir tons esverdeados e azulados, reflexo da reação de compostos como dióxido de carbono, cianeto e amônia à radiação solar. O brilho também aumentou cerca de cinco vezes entre setembro e outubro, segundo registros das sondas SOHO, STEREO-A e GOES-19.
Estudos atualizados do Telescópio Espacial James Webb indicam que o objeto contém altas concentrações de CO₂, CO e H₂O, além de enriquecimento em ferro e níquel — características que sugerem bilhões de anos de exposição à radiação cósmica. Por sua origem extrassolar, o 3I/ATLAS é considerado uma “cápsula do tempo”, capaz de revelar informações sobre sistemas estelares antigos.
O cometa continua sendo monitorado por telescópios em todo o mundo, e agora está em rota de saída do Sistema Solar. Cada novo dado coletado ajuda os cientistas a compreender como objetos vindos de outros sistemas interagem com o Sol e o que podem revelar sobre a formação e evolução do universo.