ECONOMIA

BNDES e ABDE criam plataforma para monitorar crédito direcionado no Brasil

Observatório reunirá dados públicos para análise de impactos econômicos, sociais e ambientais e apoio a políticas públicas


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Associação Brasileira de Desenvolvimento lançam, nesta quarta-feira (1º/4), em Brasília, o Observatório do Crédito para o Desenvolvimento (OCD), iniciativa voltada à centralização e divulgação de informações sobre operações de crédito direcionado no país.

Foto: © José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A proposta da plataforma é tornar acessíveis dados que permitam avaliar os efeitos desse tipo de financiamento na economia brasileira, contribuindo também para a formulação de políticas públicas. Segundo o Banco Central do Brasil, o crédito direcionado abrange operações reguladas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou vinculadas a recursos orçamentários, voltadas principalmente ao financiamento de médio e longo prazos em setores como habitação, agronegócio e infraestrutura.

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Esses recursos têm origem, em grande parte, nas captações de depósitos à vista, na caderneta de poupança e em fundos e programas públicos. A nova plataforma permitirá acompanhar de forma estruturada como esses valores são aplicados e quais resultados geram.

De acordo com o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Nelson Barbosa, o observatório ampliará a capacidade de análise sobre os efeitos do crédito. “Com o observatório, será possível avaliar impactos importantes do crédito, como a geração de emprego e renda, e até mesmo a redução nas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, vai promover o debate técnico-científico de alto nível, fundamentado em dados”, afirmou.

A presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento, Maria Fernanda Coelho, destacou o papel estratégico da iniciativa. “O observatório estruturará metodologias capazes de mensurar efeitos econômicos, sociais e ambientais, monitorando a eficiência do crédito e apoiando a tomada de decisão por formuladores de políticas e órgãos reguladores. É inteligência aplicada ao serviço de desenvolvimento”, declarou.

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O desenvolvimento da plataforma contará com financiamento do BNDES durante os primeiros 12 meses e deverá envolver outras instituições do Sistema Nacional de Fomento. A construção do sistema será realizada em parceria com uma instituição de ensino superior, ainda a ser definida, responsável por apoiar a curadoria dos dados e o desenvolvimento metodológico. A formalização dessa parceria está prevista para maio de 2026, com início das atividades técnicas na sequência e primeiras publicações ainda previstas para o mesmo ano.