O segundo turno das eleições presidenciais do Peru entra pelo segundo dia sem um vencedor definido. Com 90% dos votos computados até esta segunda-feira (8), a corrida segue extremamente disputada entre a conservadora Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez, separados por uma margem inferior a 200 mil votos na contagem oficial.

Wikimedia Commons
Os números parciais dão à filha do ex-presidente Alberto Fujimori uma vantagem estreita: 50,55% ante os 49,45% de Sánchez. O cenário era, no entanto, diferente horas antes. Ao fim do domingo (7), uma apuração preliminar divulgada pelo instituto Ipsos indicava Sánchez à frente, com 50,3% contra 49,7% de Fujimori — margem que os próprios representantes da empresa classificaram como empate técnico, resultado coerente com o que as pesquisas pré-eleitorais já apontavam.
Continua depois da Publicidade
A indefinição tem razão geográfica. Os votos de Lima, capital e principal reduto eleitoral de Fujimori, costumam ser os primeiros a ser totalizados. À medida que a contagem avança para as regiões rurais do interior do país — onde Sánchez concentra seu apoio mais sólido —, o placar tende a se equilibrar ou até se inverter.
Ainda na noite de domingo, os dois candidatos foram às redes sociais para se dirigir a seus seguidores. Ambos pediram cautela, conclamaram a espera pelos resultados oficiais e convocaram apoiadores à defesa do voto.
O clima de tensão remete diretamente ao segundo turno de 2021, quando Fujimori e Pedro Castillo chegaram a percentuais quase idênticos — cerca de 50,1% e 49,9%, respectivamente — e a apuração se prolongou por semanas, marcada por contestações e pedidos de anulação de votos. O risco de um novo impasse institucional paira sobre o país enquanto as últimas urnas ainda aguardam contabilização.